Começaram os bombardeios coordenados entre o imperialismo e o sionismo contra o Irã. Sob o pretexto nuclear, a ofensiva expressa interesses geopolíticos mais amplos. O Irã anunciou que prepara respostas. O Oriente Médio marca um novo salto na escalada bélica. Repudiamos as agressões dos Estados Unidos e de Israel, sem que isso implique apoiar o regime reacionário e repressivo dos aiatolás. Chamamos à mobilização internacional para pôr um freio nos agressores.
Por Rubén Tzanoff
Ofensiva coordenada
No marco das ameaças prévias de Donald Trump e da pressão de Benjamin Netanyahu para atacar, em 28 de fevereiro os Estados Unidos e o Estado de Israel lançaram uma operação militar conjunta contra o Irã. As explosões atingiram áreas próximas a instalações governamentais e militares. A ofensiva, cinicamente apresentada por Israel como “preventiva”, incluiu bombardeios aéreos e mísseis sobre alvos em Teerã e outras zonas estratégicas. Entre os crimes que começam a vir à tona, projéteis israelenses contra uma escola primária na cidade de Minab causaram a morte de mais de 50 meninas.
O presidente norte-americano confirmou tratar-se de uma “grande operação de combate” destinada a destruir capacidades militares iranianas, especialmente ligadas a mísseis e ao programa nuclear. O ataque ocorre após meses de acúmulo militar imperialista na região e depois de uma ofensiva prévia, em 2025, contra instalações nucleares iranianas.
Advertências iranianas
As autoridades iranianas já haviam antecipado que qualquer ataque desencadearia represálias contra bases norte-americanas na região e alvos israelenses. Após os bombardeios, o regime clerical fechou o espaço aéreo do país e ativou protocolos de defesa, enquanto Israel fez o mesmo diante do temor de ataques com mísseis e drones.
O cenário imediato é de represália escalonada: ataques indiretos por meio de forças aliadas na região (Líbano, Síria, Iraque) ou inclusive um enfrentamento direto de maior escala. Desde já, ameaças, agressões e represálias não excluem a possibilidade de negociações — o “porrete e a cenoura” são parte intrínseca da política de dominação imperialista, dinâmica que tampouco é alheia aos métodos do regime dos aiatolás.
As motivações contrarrevolucionárias de Trump
É conhecido que o discurso oficial da Casa Branca se centra em impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e eliminar “ameaças iminentes”. No entanto, por trás dessa justificativa combinam-se vários fatores: reafirmar a hegemonia estadunidense no Oriente Médio, sustentar a aliança estratégica com Israel — seu gendarme regional — e tentar uma mudança de regime no Irã.
Cabe destacar que Trump também busca desviar as tensões internas por meio de uma política externa agressiva, já que enfrenta forte contestação e mobilizações contra suas políticas ultradireitistas.
A situação do regime dos aiatolás
O poder dos aiatolás chega a esta crise questionado e em situação contraditória. Por um lado, mantém capacidade militar e redes de influência regional. Por outro, enfrenta protestos internos duramente reprimidos, uma crise econômica agravada por sanções internacionais e crescente isolamento.
Essa debilidade relativa convive com uma forte retórica nacionalista, anti-imperialista e antissionista que pode empurrar o regime a responder militarmente para não demonstrar fragilidade.
Repercussões e perspectiva volátil
Após o enganoso acordo de “paz” entre Estados Unidos, Israel e o Hamas — prejudicial ao povo palestino — aumenta o risco de uma guerra regional envolvendo vários países, ameaças a infraestruturas energéticas do Golfo, elevação do preço do petróleo e tensões nos mercados globais.
Muito perto dali, na madrugada de sexta-feira, teve início uma ofensiva do Paquistão contra o Afeganistão, batizada de “Operação Fúria Justa”, supostamente em resposta a ataques afegãos próximos à fronteira. Essas ações enterram o cessar-fogo acordado em outubro com mediação do Catar.
Também aumenta a pressão sobre aliados dos Estados Unidos na região, governos árabes traidores sempre inclinados a se curvar diante dos desígnios estratégicos do imperialismo norte-americano e do sionismo.
No plano internacional, o projeto de “nova ordem mundial” impulsionado por Trump aprofunda o desordenamento global, com mais crises, guerras e tensões entre os imperialismos estadunidense, chinês e russo, que disputam hegemonia mundial ou zonas de influência.
A perspectiva é incerta. O cenário imediato é volátil e pode ter distintos desdobramentos: represálias iranianas diretas ou indiretas, extensão do conflito ao Líbano, à Síria ou ao Golfo, novas ondas de bombardeios por parte dos Estados Unidos e de Israel, interrupções em rotas energéticas estratégicas e, como já assinalado, inclusive uma saída negociada.
Solidariedade com o povo iraniano
As ações bélicas não podem ser analisadas como um enfrentamento entre “democracia” e “autoritarismo”, mas como uma agressão direta. Por isso, repudiamos os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, bem como a cumplicidade da União Europeia e dos governos árabes traidores.
Colocamo-nos solidariamente ao lado do povo iraniano agredido, sem que isso implique qualquer apoio político ao regime reacionário e repressivo dos aiatolás.
Por sua vez, Reza Pahlavi, herdeiro do xá iraniano, aplaudiu a intervenção, qualificando-a de “humanitária”. Nesse sentido, nem o regime fundamentalista de Ali Khamenei nem uma restauração monárquica constituem uma direção progressiva. É necessário que governem os trabalhadores e o povo, com suas próprias organizações. É nessa perspectiva que se torna indispensável avançar no reagrupamento internacional das e dos revolucionários impulsionado pela Liga Internacional Socialista (LIS), para construir fortes partidos socialistas revolucionários nacionais.
O curso do sistema global e as transformações impulsionadas por Trump demonstram que o capitalismo e o imperialismo só podem oferecer guerra, opressão e crise. Diante disso, a perspectiva revolucionária e socialista no Oriente Médio torna-se não apenas necessária, mas urgente.
Basta de agressão imperialista dos EUA e de Israel ao Irã!
Toda nossa solidariedade ao povo iraniano!
Nenhum apoio político ao regime ditatorial dos mulás!
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