Por Asif Rasheed

Hoje, enquanto o imperialismo e a brutalidade talibã continuam expondo sua atuação no Afeganistão, a importância da Revolução Afegã de Saur, que irrompeu há 48 anos, cresce mais do que nunca.

O impacto da Revolução Russa de 1917

Em outubro de 1917, o Partido Bolchevique da Rússia, armado com a teoria, o programa e o método corretos, levou a classe trabalhadora a derrubar o capitalismo. Essa revolução teve um profundo impacto nos movimentos operários de todo o mundo em geral e nas lutas de libertação nacional no mundo colonial em particular. No entanto, a posterior degeneração estalinista da Revolução Russa também teve consequências negativas para os partidos comunistas em todo o mundo. Como resultado, as revoluções fracassaram uma após outra em diferentes países. Embora os países coloniais tenham conquistado formalmente a independência do imperialismo, a pobreza, as doenças e o atraso de suas sociedades se agravaram ainda mais. A burguesia desses países não conseguiu cumprir sequer uma das tarefas da revolução democrática nacional. A fraqueza e a incapacidade da burguesia concederam certo grau de autonomia às juntas militares, o que levou a sucessivos golpes de Estado nesses países.

Radicalização militar e contexto mundial

O exército reflete as contradições de classe presentes na sociedade. Em escala mundial, os movimentos da classe trabalhadora e o desenvolvimento sem precedentes da União Soviética tiveram um profundo impacto sobre oficiais de baixa patente e soldados rasos desses países. Por um lado, sentiam frustração diante da incapacidade, incompetência e corrupção de seus governantes; por outro, aspiravam libertar a sociedade da decadência feudal e capitalista. Em 1952, oficiais progressistas do Egito, dirigidos por Gamal Abdel Nasser, derrubaram a monarquia por meio de um golpe militar e realizaram reformas radicais e nacionalizações em larga escala. De modo semelhante, na Líbia, Etiópia, Moçambique e Síria, oficiais e soldados com tendências progressistas ou de esquerda derrubaram monarquias decadentes e ditaduras corruptas, abolindo o capitalismo e o feudalismo. No entanto, essas revoluções não ocorreram no molde clássico da revolução socialista de outubro de 1917, nem esses oficiais revolucionários organizaram a classe trabalhadora como uma força consciente para levar adiante essas revoluções.

O bonapartismo proletário e seus limites

Os ensinamentos fundamentais do marxismo nos dizem que, sem a participação ativa da classe trabalhadora, não se pode construir um Estado operário saudável. Portanto, esses Estados não foram construídos segundo o modelo do Estado operário soviético de outubro de 1917, mas segundo o modelo da posterior União Soviética estalinista. Ted Grant descreveu esses Estados como “Estados bonapartistas proletários”, Estados nos quais o capitalismo e o feudalismo foram amplamente abolidos, mas o poder não está nas mãos da classe trabalhadora, e sim da burocracia estatal ou de uma junta militar. Apesar de todas as suas contradições, esses avanços foram passos progressivos, já que a nacionalização dos meios de produção e a introdução de economias planificadas conduziram a um desenvolvimento social e econômico significativo. No entanto, a partir de certo ponto, a própria burocracia se torna um obstáculo ao desenvolvimento posterior tanto da sociedade quanto das forças produtivas. Surge assim a necessidade de uma revolução política para colocar o poder e os meios de produção sob o controle democrático da classe trabalhadora. Esse fenômeno do bonapartismo proletário também indicava que a revolução mundial estava sendo retardada e que os países coloniais não podiam esperar pelas revoluções nos países capitalistas avançados, já que suas próprias crises eram muito mais profundas e não podiam ser resolvidas sobre bases capitalistas.

As condições no Afeganistão antes de 1978 e a formação do PDPA

A revolução saurista afegã de 27 de abril de 1978 também pode ser compreendida à luz desses fatores. O Afeganistão tinha um proletariado quase inexistente e carecia de uma base industrial significativa. Diversas monarquias, sob Zahir Shah ou posteriormente sob Sardar Daoud, governaram o país por décadas, mas não trouxeram nada além de corrupção e servilismo ao imperialismo. A taxa de alfabetização era inferior a 10%, e 50% das terras cultiváveis pertenciam a apenas 5% da população. Nessas condições, o desenvolvimento sobre uma base capitalista não era possível.

Em meio a esse clima de agitação e instabilidade, Noor Mohammad Taraki fundou o Partido Democrático Popular do Afeganistão (PDPA) em janeiro de 1965. O partido era composto em grande parte por diversos grupos de jovens que participavam de círculos de estudos marxistas. Outro dirigente-chave do partido, o camarada Hafizullah Amin, conseguiu influenciar muitos oficiais do exército afegão em direção às ideias revolucionárias. Essa mudança também foi inspirada pelo notável desenvolvimento da União Soviética sob uma economia planificada e pelos acontecimentos políticos mundiais.

O Conselho Revolucionário elegeu Noor Mohammad Taraki à presidência

Da crise à revolução

Em 17 de abril de 1978, o governo do presidente afegão Mohammad Daoud Khan mandou assassinar o dirigente do PDPA Mohammad Akbar Khyber, embora tenha negado sua responsabilidade. No entanto, a direção do partido chegou à conclusão de que Daoud pretendia eliminar toda a sua cúpula. Em 19 de abril, o partido organizou uma mobilização de 30 mil pessoas em Cabul durante o funeral de Khyber. A manifestação entoou palavras de ordem antiestadunidenses diante da embaixada dos Estados Unidos. Essa demonstração de força enfureceu Daoud, que, no prazo de uma semana, prendeu sete dirigentes do partido, entre eles Noor Mohammad Taraki. Hafizullah Amin foi inicialmente colocado em prisão domiciliar e posteriormente encarcerado em 26 de abril. No entanto, antes de sua detenção, Amin já havia dado instruções aos oficiais khalqis do exército para iniciarem um levante militar contra o presidente Daoud.

Na manhã de 27 de abril de 1978, o coronel da Força Aérea Abdul Qadir ordenou o bombardeio do palácio presidencial. O presidente Daoud foi eliminado junto com sua família. Simultaneamente, na frente terrestre, Mohammad Aslam Watanjar, comandante de uma brigada de tanques, entrou na cidade de Cabul com tanques e veículos blindados. Dessa forma, o levante militar revolucionário pôs fim ao regime ditatorial de Daoud. Às 19 horas foi anunciada pelo rádio a queda da ditadura. As forças armadas transferiram imediatamente o poder ao Conselho Revolucionário do partido, composto por 35 membros. Isso foi possível graças ao apoio dos oficiais revolucionários dentro do exército, e o mérito de conquistar o exército para o partido e a revolução corresponde em grande medida a Hafizullah Amin. Chama-se Revolução “Saur” porque esse levante ocorreu no segundo mês do calendário afegão, “Saur”. Noor Mohammad Taraki descreveu a Revolução de Saur como uma continuação da Revolução Bolchevique de 1917 e como parte da luta global da classe trabalhadora.

O Conselho Revolucionário elegeu Noor Mohammad Taraki como presidente, enquanto Hafizullah Amin foi nomeado ministro das Relações Exteriores e posteriormente também assumiu o cargo de primeiro-ministro. Em 10 de maio, Taraki anunciou pelo rádio o programa do governo revolucionário. Este incluía as maiores reformas agrárias da história do Afeganistão (incluindo a redistribuição de terras a arrendatários e camponeses sem terra), a abolição da usura, a gratuidade da educação e da saúde, a igualdade de gênero, a proibição da compra e venda de mulheres sob a aparência de casamento e a nacionalização de todos os setores considerados aptos para a nacionalização. Iniciou-se um processo para retirar o Afeganistão de séculos de atraso, analfabetismo, tribalismo, pobreza e privações, com o objetivo de introduzi-lo no século XX e construir uma sociedade moderna. Assim, mesmo de forma distorcida, a Revolução de Saur confirmou a teoria de Trotsky da revolução permanente. Teve um impacto muito positivo e encorajador nas classes trabalhadoras e nas nacionalidades oprimidas dos países vizinhos, particularmente no Paquistão, alarmando o imperialismo estadunidense e a classe dominante paquistanesa. No entanto, a União Soviética também se sentiu desconfortável com essa transformação revolucionária no Afeganistão. Já não era a União Soviética construída por Lenin e Trotsky, mas uma dominada por uma burocracia estalinista que priorizava seus interesses nacionais, privilégios e relações “equilibradas” com o imperialismo estadunidense acima da revolução, do socialismo e do marxismo. Essa burocracia afogou em sangue revoluções em todo o mundo em nome da manutenção de seu regime autoritário e da doutrina contrarrevolucionária da “coexistência pacífica” (derivada da teoria estalinista do “socialismo em um só país”). Os partidos comunistas de todo o mundo foram frequentemente reduzidos a instrumentos de sua política externa. A revolução afegã de Saur, portanto, representou um choque para a burocracia soviética, que se opunha fundamentalmente a um desenvolvimento revolucionário independente desse tipo em sua vizinhança.

Imperialismo e traição estalinista

Inicialmente, a União Soviética tentou colocar sob seu controle o recém-formado governo revolucionário. No entanto, os dirigentes da revolução defenderam a independência e a soberania do Afeganistão. Comprometeram-se a esmagar os levantes contrarrevolucionários contra a Revolução de Saur e tomaram medidas concretas nesse sentido. Enquanto isso, a burocracia soviética continuava pressionando para que fizessem concessões aos mulás e a outras forças contrarrevolucionárias. Quando isso fracassou, começaram os esforços para eliminar completamente a direção revolucionária.

Os historiadores e intelectuais da classe dominante frequentemente confundem deliberadamente a Revolução de Saur com a posterior invasão soviética. Oculta-se o fato de que as tropas soviéticas entraram no Afeganistão 18 meses depois da revolução, em 29 de dezembro de 1979. Os dois primeiros dirigentes do governo revolucionário, Noor Mohammad Taraki e Hafizullah Amin, não tinham ilusões sobre a natureza burocrática do Estado soviético. Ambos se opuseram firmemente a qualquer intervenção política ou militar no Afeganistão por parte da União Soviética ou de qualquer outro país. Uma revolução que se desenvolvesse de forma independente no Afeganistão representava uma ameaça aos interesses políticos da burocracia soviética, e por isso a eliminação de sua direção autêntica tornou-se necessária. Em 9 de outubro de 1979, Noor Mohammad Taraki foi encontrado misteriosamente morto no palácio presidencial. Várias tentativas de assassinar Hafizullah Amin por envenenamento fracassaram. Finalmente, em 27 de dezembro de 1979, mais de 600 soldados soviéticos atacaram o palácio Tajbeg na “Operação Tempestade-333”, matando Hafizullah Amin junto com seu filho e cerca de 200 guardas. Dois dias depois, as tropas soviéticas entraram formalmente no Afeganistão, oferecendo ao imperialismo estadunidense uma oportunidade aberta para intervir e esmagar a revolução.

A contrarrevolução e as guerras por procuração

Os marxistas da época também condenaram a intervenção militar soviética, já que ela fazia a revolução retroceder. Mesmo antes da invasão soviética, o imperialismo e seus aliados já haviam iniciado esforços para esmagar a Revolução de Saur. Seis meses antes da entrada das tropas soviéticas, a CIA havia lançado a “Operação Ciclone”, canalizando armas no valor de bilhões de dólares e milhares de supostos mujahidins para o Afeganistão através do Paquistão. Dessa intervenção contrarrevolucionária participaram Arábia Saudita, Israel, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Egito, China e Paquistão. A China, cegada por sua hostilidade à União Soviética, também forneceu importante ajuda militar e apoio aos mujahidins e grupos aliados.

Babrak Karmal, da facção Parcham, foi levado ao poder pela União Soviética, mas tampouco atendeu às exigências da burocracia soviética. Foi destituído e substituído pelo Dr. Najibullah como presidente. Esse foi o período em que Mikhail Gorbachev, numa tentativa de preservar o domínio da burocracia estalinista na União Soviética, iniciou reformas políticas e econômicas sob as bandeiras da Perestroika e da Glasnost. Najibullah, na fase final de seu governo, tentou adotar políticas “suaves” semelhantes no Afeganistão. Nesse momento, as condições internas da União Soviética haviam se deteriorado significativamente e o governo de Najibullah enfraquecia continuamente. Em consequência, adotou-se uma política de reconciliação com as forças contrarrevolucionárias e a chamada “harmonia nacional”, uma abordagem cujo fracasso era inevitável.

Najibullah criou uma Comissão de Reconciliação Nacional, que entrou em contato com milhares de contrarrevolucionários. Em julho de 1987, foram oferecidas a essas forças 20 cadeiras no Conselho de Estado (antigo Conselho Revolucionário), além de 12 cargos ministeriais no governo. No entanto, essas forças fundamentalistas contrarrevolucionárias não aproveitaram essas oportunidades para alcançar a paz ou o compromisso, mas sim para intensificar seus esforços para esmagar a revolução. Claramente, o objetivo do imperialismo não era apenas preservar seu sistema, mas também enviar uma mensagem às massas afegãs e aos revolucionários de todo o mundo sobre as consequências de desafiá-lo. Assim, essas supostas iniciativas reformistas apenas aceleraram a desintegração da revolução.

Após a Revolução de Outubro, os bolcheviques defenderam o nascente Estado operário contra as invasões imperialistas construindo um Exército Vermelho de milhões de trabalhadores e camponeses, ao mesmo tempo em que apelavam à solidariedade revolucionária das classes trabalhadoras de todo o mundo. Isso provocou levantes dentro dos próprios países imperialistas, enfraquecendo-os por dentro. Muitos trabalhadores e soldados dos países invasores se recusaram a apoiar a guerra contrarrevolucionária, o que desempenhou um papel decisivo na derrota de mais de uma dúzia de exércitos imperialistas invasores. Em contraste, no Afeganistão, o próprio partido governante estava dividido nas facções Khalq e Parcham, que permaneciam em constante conflito não apenas com as forças contrarrevolucionárias, mas também entre si. Não existia uma direção comparável à de Lenin e Trotsky. Após a remoção de Taraki e Hafizullah Amin, a facção Parcham —chegada ao poder com o respaldo da burocracia soviética— adotou uma perspectiva estreita, retrógrada e predominantemente “nacional” em vez de internacionalista. Todos esses fatores desempenharam um papel-chave no declínio da Revolução de Saur.

Reação e barbárie

Com a retirada das forças soviéticas em virtude dos Acordos de Genebra de 1988-89, o destino do governo de Najibullah tornou-se cada vez mais evidente. Oportunistas como Shahnawaz Tanai e Abdul Rashid Dostum passaram abertamente à traição. Apesar disso, o povo revolucionário do Afeganistão, mesmo em meio à fragmentação interna e aos reveses, continuou defendendo a revolução com enorme sacrifício por vários anos. No entanto, após o colapso da União Soviética, quando o governo contrarrevolucionário e pró-imperialista de Boris Yeltsin cortou completamente o fornecimento de armas e combustível, o governo de Najibullah caiu finalmente em 1992. Esse período deixou a nu várias realidades: enquanto as classes dominantes dividem os trabalhadores por motivos de raça, etnia, língua, religião, nacionalidade e fronteiras para manter seu domínio, unem-se quando seu sistema é ameaçado por movimentos revolucionários. Assim, o imperialismo estadunidense, em aliança com as monarquias do Golfo, as forças direitistas do Paquistão, o aparato estatal e outros aliados, afogaram em sangue a Revolução de Saur. Em última instância, todos esses supostos democratas, liberais, laicistas e fundamentalistas servem ao mesmo sistema, aquele que garante sua propriedade, riqueza e lucros.

A contrarrevolução fez a sociedade afegã retroceder séculos. Após a queda do governo de Najibullah, a devastadora e sangrenta guerra civil entre facções jihadistas reduziu o país a ruínas. Diversos grupos mujahidins —na prática, representantes de potências imperialistas rivais— lutaram entre si pelo controle de Cabul. Esse caos interminável tornou-se um problema tanto para os Estados Unidos quanto para o Paquistão, o que levou à imposição do regime talibã, cujo governo brutal e repressivo logo criou novos desafios até mesmo para seus próprios apoiadores. Após o 11 de setembro de 2001, iniciou-se uma nova fase de agressão imperialista. No entanto, apesar de seu imenso poder econômico e militar, o imperialismo estadunidense não conseguiu resolver sequer uma questão fundamental da sociedade afegã. As antigas facções mujahidins e os senhores da guerra voltaram a se apresentar como a face de uma suposta democracia. Ainda assim, apesar de sua esmagadora superioridade tecnológica e militar, a aliança da OTAN não conseguiu submeter os talibãs. Durante esse período, os talibãs continuaram recebendo apoio estratégico e militar do Estado profundo do Paquistão. No entanto, ao contrário da década de 1990, também se beneficiaram de apoio indireto ou tácito de potências como China, Rússia e Irã.

Segundo um relatório da Al Jazeera, os Estados Unidos gastaram cerca de 2 trilhões de dólares em operações militares no Afeganistão ao longo de duas décadas. Apesar disso, ao final foram obrigados a negociar com os talibãs e a se retirar de uma forma que representou uma perda de prestígio. O acordo firmado com os talibãs no Catar significou, na prática, o reconhecimento da derrota por parte dos Estados Unidos. O imperialismo estadunidense fracassou rotundamente em alcançar seus objetivos no Afeganistão. Em particular, durante as negociações com os talibãs, o governo fantoche de Ashraf Ghani foi mantido em grande medida desinformado ou à margem, o que revela a verdadeira vacuidade, corrupção e falta de legitimidade do Estado afegão construído pelos EUA ao longo de vinte anos.

Após a vitória reacionária dos talibãs, iniciou-se uma nova era de sofrimento e miséria para o povo afegão. Se o imperialismo estadunidense, com todos os seus vastos recursos, não conseguiu construir um Estado estável e viável no Afeganistão, o que se pode esperar de uma força reacionária como os talibãs, que prospera com base em uma economia informal de narcóticos e extorsão? Esses guardiões da escuridão pretendem fazer a sociedade retroceder a uma figurada “idade da pedra”. No entanto, o retorno dos talibãs ao poder produziu resultados contrários às expectativas do Estado paquistanês. Os talibãs não querem ou não conseguem agir contra grupos como o TTP, envolvidos em terrorismo dentro do Paquistão, o que transforma a situação em um cenário de crescente tensão e confrontação.

Os talibãs buscam afirmar maior autonomia em relação ao Paquistão inclinando-se para potências como China e Índia. No entanto, esses Estados não são aliados do povo afegão, mas perseguem seus próprios interesses imperialistas e estratégicos. A Índia busca contrabalançar o Paquistão através do Afeganistão, enquanto a China se concentra nos valiosos recursos minerais afegãos. De forma semelhante, Estados do Golfo como Catar e Emirados Árabes Unidos, junto com a Turquia, mantêm relações com diferentes facções talibãs conforme seus próprios interesses. Enquanto isso, as contradições internas dentro do Talibã, impulsionadas menos pela ideologia e mais por interesses financeiros e alinhamentos de poder, tornam-se cada vez mais visíveis e podem explodir em determinadas condições. Como resultado, a situação adquiriu novas camadas de complexidade, contribuindo para a instabilidade, a violência e o terrorismo contínuos em toda a região.

A revolução é a única salvação

A realidade é que as mesmas forças responsáveis pela destruição do Afeganistão não podem reconstruí-lo. E enquanto o Afeganistão permanecer devastado, a paz duradoura no Paquistão continuará difícil de alcançar. Um problema histórico não pode ser resolvido sem eliminar suas causas históricas. Nesse contexto, não apenas no Afeganistão, mas em todo o Sul da Ásia, a erradicação do fundamentalismo e do terrorismo —e o estabelecimento de uma sociedade pacífica, estável e próspera— só é possível por meio da derrubada revolucionária do sistema capitalista imperialista. Por essa razão, a história da Revolução de Saur de 1978 mantém sua importância duradoura ainda hoje.

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