Por Raza Gillani — publicado originalmente em 26/11/2019 pela Liga Internacional Socialista
Tradução para o português com notas de contexto para o público brasileiro. Fonte original: lis-isl.org/es/2019/11/pakistan-estamos-locos
Por que passamos os últimos quatro anos, presumivelmente o momento mais crucial de nossas vidas, nos organizando em várias universidades por todo o país e suas áreas administradas em torno de temas relacionados à vida estudantil, gênero, educação, classe, etnia, raça etc.?
Por que desperdiçamos nosso tempo procurando quem compartilha nossos princípios, sonhos e resolução? Por que gastamos o pouco dinheiro que temos percorrendo várias partes do país para tentar conhecer cada um deles? Por que priorizamos e gastamos mais energia em protestos e marchas (como a Marcha de Solidariedade Estudantil de 29 de novembro) do que em nossas chances de conseguir bons diplomas e ter sucesso na vida?
Estamos loucos? Perdemos o juízo?
Não temos o sonho de carreiras brilhantes e ilustres? Não queremos viver em grandes mansões que poderíamos possuir e dirigir carros que poderíamos comprar do nosso próprio bolso? Não queremos ter sucesso? Não queremos inspirar milhões e nos tornar o CEO da próxima grande ideia de negócio?
Não tememos decepcionar continuamente nossas mães, que passaram vinte anos de suas vidas sob abuso e violência com a única esperança de que um dia cresceríamos para ganhar uma vida respeitável? Não decepcionamos nossos pais, que querem que passemos no CSS1 e lhes deem o respeito que merecem na família? Não queremos “estudar em paz e não chamar atenção” para nossa política?
Não lemos que a União Soviética se desintegrou2 nos anos 90 e, com ela (por ora), a promessa do socialismo e sua política? Não passamos dias e noites nos perguntando se, ao tentar reconstruir essa política, poderíamos acabar desperdiçando nossas vidas? Não lemos que existe algo chamado natureza humana básica? Não discutimos entre nós se os incentivos financeiros são os motivadores fundamentais da ação humana? Não sentimos a culpa que nos impõem ao dizer que nosso interesse em política nos roubou a chance de nos tornarmos os gênios que poderíamos ter sido se tivéssemos seguido seus ideais de carreira?
Não lemos os livros que você leu?
Não desejamos adorar um Deus que nos ama a todos?
Na verdade, sim, desejamos. Só que vimos a vida de perto o suficiente para não enxergar sentido em ser felizes e bem-sucedidos numa ordem social que falhou com a maioria de seus membros. Simplemente achamos que há mais na vida do que essa obsessão consigo mesmo. Que é ridículo acreditar que a dor que vemos ao nosso redor nada tem a ver conosco se não somos sua causa nem a sofremos. Que escolher ser feliz e bem-sucedido pelo próprio bem é a opção mais fácil no esquema atual das coisas. E, como se diz, uma vida vivida com facilidade raramente é uma vida decente. Acreditamos que a vida realmente começa quando você conecta sua felicidade e sua dor às das pessoas ao seu redor. Que nossa política deve se basear na promessa de construir um mundo igual para todas as pessoas, independentemente de quem são, o que escolhem, o que vestem etc. Que nossa política deve ser pura. Que ela deve nos impedir de viver alheios aos privilégios que desfrutamos (que, em todos os casos, se baseiam diretamente no fato de outra pessoa não ter o mesmo privilégio). Deve nos fazer aprender com os erros que cometemos e com as pessoas que escolheram nos abandonar quando falhamos com elas. Deve nos fazer questionar as forças que definem como uma vida deve ser vivida, as estruturas que privam a maioria de nós para fortalecer uma minoria da população, os sistemas que extraem seus lucros e poder da privação de mulheres, estudantes, pessoas trans e minorias étnicas, raciais e religiosas etc.
Simplesmente achamos que uma política acaba com todos os códigos morais, éticos, racionais, sociais e políticos se nos leva a escolher ser felizes e bem-sucedidos dentro de uma ordem social cujos ideais de sucesso se baseiam na miséria e no despojo dos pobres e indigentes.
Acreditamos que é nosso trabalho fundamental, como humanos, tentar refletir sobre o que existe além do que vemos. Acreditamos que, assim que alguém percebe as realidades da vida ao seu redor, a política deixa de ser uma opção. Abandonar a política, então, ou ser o que chamamos de apolítico, também se torna uma decisão política.
Como se vê, se você sabe que vive numa estrutura baseada em opressão e preconceitos sistemáticos, escolher priorizar seu sucesso e deixar o sistema como está significa que você está do lado dos que oprimem, e não dos marginalizados.
Você não sabe que, na semana passada, estudantes foram processados sob leis de sedição por exigirem água limpa? Não sabe que, no ano passado, mais de 300 estudantes foram processados sob leis antiterrorismo por protestar por seus direitos fundamentais? Não sabe por quantas semanas e meses ficaram presos? Não sabe que na Universidade do Baluchistão3 foram instaladas mais de 500 câmeras, inclusive dentro de banheiros femininos, a mando de uma administração que vê as mulheres como meros objetos de prazer sexual? Não sabe que toda a infraestrutura de ensino superior público do Baluchistão, das FATA4 e do Gilgit-Baltistão5 soma menos de cinco universidades públicas? Não sabe que, para mais de 120 milhões de jovens, temos apenas 97 universidades públicas? Não sabe que há universidades no Paquistão dirigidas não por reitores ou vice-chanceleres, mas por oficiais de segurança ou burocratas irrelevantes? Não sabe que há universidades no Paquistão que decidiram que o toque de recolher para mulheres nas residências é às 15h?
Não sabe o quanto os padrões de educação diferem entre a Aitchison6 e a Central Model School? Não sabe que ainda destinamos um miserável 2,6% do PIB à educação? Não sabe que a mensalidade do ensino superior nunca esteve tão cara na história deste país? Não sabe que nosso currículo promove ativamente extremismo e ódio contra as identidades que vivem em todo o Paquistão e suas áreas administradas? Não sabe que nossa infraestrutura educacional está sendo vendida a investidores privados a mando do FMI7?
Você não se lembra que Mashal Khan8 foi assassinado dentro do campus e que nossos governos não fizeram tentativas consistentes de reduzir o extremismo de direita nos campi?
Você não viu quantos estudantes se suicidaram no campus nos últimos dois anos?
Ainda está feliz com a vida? Ainda deseja “estudar e não perder tempo chamando atenção”?
Talvez você já saiba de tudo isso. Mas a culpa não é sua. O problema é que só nos ensinam a ver as coisas como são, enquanto identificar a raiz dos problemas e fazer algo a respeito é uma prática ativamente rejeitada neste país. Veja, seu poder de pensar, racionalizar a vida e provocar mudanças foi tirado de você. Os Rizvis9 vão te ensinar que esses problemas são resultado direto do nosso afastamento das gloriosas tradições religiosas. O PTI10 vai te informar que esses problemas deixarão de existir assim que o projeto neoliberal for concluído. O PML-N11 vai te dizer que, quando conquistarem sua parcela de supremacia civil, você se sentirá aliviado de todas as suas misérias. Você será treinado por sei lá quem a acreditar que tudo isso é uma conspiração internacional para minar sua herança nacional.
Ao contrário, nossas análises, baseadas tanto na experiência quanto na teoria, nos levam a crer que esses problemas são resultado direto da falta de representação estudantil nas universidades. As pessoas mais afetadas por um problema devem ter o direito de decidir sobre ele. São os estudantes que fazem das universidades o que elas são, e as instituições de ensino viram lixeiras se os estudantes não forem consultados sobre como devem ser administradas.
Os mesmos membros do corpo docente que assediam mulheres não devem ser os responsáveis por responsabilizar outros colegas que assediam outras mulheres. Do contrário, os problemas só aumentam, como vêm fazendo. Uma parcela considerável do controle sobre a universidade deve recair sobre os estudantes, e não sobre um funcionário estatal que nunca pisou numa universidade.
Quando os centros estudantis foram proibidos em 198412, a justificativa foi que a sindicalização estudantil gera violência e, portanto, deve ser banida. Ousamos perguntar por que a violência nos campi só aumentou desde a proibição? Por que continuamos vendo forças fascistas, como a Jamiat13, que periodicamente proíbem mulheres de sentar com homens e atacam festivais culturais de estudantes que não teriam vindo a Lahore se tivessem universidades em suas cidades natais?
Isso acontece porque o Estado, sempre, como se fosse consciente, erra. A violência não diminui ao se conter as formas constitucionais de representação; ela aumenta. As queixas dos estudantes sobre estruturas de taxas, refeitórios, assédio sexual, pesquisa, transporte, desordem, residências etc., quando não recebem uma plataforma representativa, são o terreno perfeito para que extremistas de direita se mobilizem e exerçam violência por seus próprios interesses.
Além disso, quando falamos de violência no campus, por que somos sempre forçados a lembrar apenas da violência cometida pelos estudantes? Um aumento de 100% nas taxas não equivale a violência contra estudantes que vivem em bairros operários? O assédio sexual no campus não é violência? O perfil racial não é um crime violento? A violência não está afastando da educação pública os jovens das FATA, do Baluchistão, do Gilgit-Baltistão e da Caxemira? A pergunta não é mais complicada que isso: o setor de educação pública paquistanês se baseia literalmente num contexto de uso violento do poder, e não se permite espaço para que os estudantes sejam representados. O que você estava fumando quando esperava que o resultado fosse totalmente submisso e pacífico?
Afinal, os estudantes têm permissão para se sindicalizar nos campi de quase todos os países onde as pessoas têm um mínimo de sanidade. Como é que só no Paquistão os estudantes se tornariam violentos se pudessem formar centros estudantis? O que há de tão fundamental em nosso DNA? De quem é a culpa? Nossa?
No entanto, no caso da sindicalização estudantil, o Estado não apenas abandonou os estudantes que tinham demandas legítimas. Ele apoiou ativa, financeira e logisticamente organizações fascistas que fortaleceriam ainda mais seu projeto e vitimizariam aqueles que pudessem politizar o campus e as questões educacionais. Como resultado, já se passaram mais de 30 anos, a violência continua ali, os problemas só aumentaram. Simplesmente não aparecem com tanta frequência quanto antes, porque agora não é permitido falar sobre isso.
Um campus onde milhares de estudantes passam meio dia, diariamente, certamente desenvolverá suas próprias ideias políticas. O que você quer fazer com isso? Silenciar? Você realmente acha que consegue?
O Estado sob o qual vivemos baseou sua legitimidade principalmente não nas coisas conhecidas e compreendidas pelo seu povo, mas nas coisas de que ele não tem consciência. É por isso que a lógica de toda ação de nossos governos se baseia no esquecimento do passado, na insistência no presente e num vazio quanto ao futuro. Faz-se o povo acreditar que tudo o que ocorre atualmente é a verdade e que não há necessidade de olhar mais fundo ou além da realidade imediata. (As pessoas acabam pensando que esta é a primeira vez que um primeiro-ministro foi levado a prestar contas etc.)
No caso dos estudantes, somos ensinados cruelmente que nosso trabalho fundamental é estudar, e que nos tornarmos o que chamamos de “politizados” está fora dos limites. Somos mantidos afastados da verdade de que já houve um movimento estudantil no Paquistão que desempenhou papel fundamental — um movimento que derrubou Ayub14, um movimento que fez de Bhutto15 quem ele foi e que, quando ele deixou de ser fiel ao que havia proclamado, também se voltou contra ele.
Para todos que se perguntam por que cantamos “Asia Surkh Hoga”16, fazemos isso porque pensamos que, em tempos de esquecimento coletivo, lembrar o passado também é um ato revolucionário. O movimento de 6817 aconteceu nas ruas, nos campi e nas fábricas, e agora será lembrado nos mesmos lugares, por mais cruelmente que o governo tente ocultar o passado. Hasan Nasir18 será lembrado. Nazeer Abbasi19 será homenageado. As vozes por justiça para Nimrita Kumari20 se levantarão, e Mashal Khan será imortalizado, mais uma vez!
Nos dizem que não importamos porque somos socialistas e isso é antinacional. Mas se acreditar no fim da exploração de classes e numa estrutura educacional baseada na igualdade torna alguém antinacional, então não existe documento mais antinacional que a constituição deste país21. O artigo 3 estabelece: “O Estado garantirá a eliminação de todas as formas de exploração e o cumprimento gradual do princípio fundamental, de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo seu trabalho.” O artigo 17 nos garante o direito inalienável à sindicalização, e o artigo 25A obriga o Estado a fornecer educação gratuita e de qualidade a todos os cidadãos deste país e de suas áreas administradas. Desde quando traidores lutam pela constituição?
Nos dizem que somos um grupo de elitistas e que nossas vozes nunca ecoarão além de nossos próprios círculos de influência. Curiosamente, essa pergunta nunca é feita aos partidos políticos burgueses, cujo fundo de campanha eleitoral coletivo é dez vezes maior que todo o nosso orçamento educacional. Não perguntamos por que dançam em seus atos, não perguntamos que aviões usam nem em que Bani Gala22 vivem. Porque talvez dançar ao ritmo das melodias não importe de fato, contanto que continuem sendo melodias dos ricos e não se transformem nas melodias da rebelião de um povo.
A marcha agora acontecerá em 50 cidades diferentes do Paquistão, incluindo as cidades mais atrasadas de Sindh, Baluchistão, Caxemira, Gilgit-Baltistão e KP. Disseram para nos controlarmos. Agora dizemos abertamente que está fugindo do nosso controle.
Muitos de nós não conhecem Fred Hampton23, um inspirador líder das Panteras Negras de 21 anos que, curiosamente, também usava uma jaqueta de couro preta (ele também era um “bastardo elitista”?). Ele disse algo em seu último discurso antes de ser assassinado pelo FBI. Era uma pergunta para nossa civilização que ainda precisa ser respondida:
“É preciso entender que as pessoas têm que pagar o preço da paz. Se você ousa lutar, ousa vencer. Se não ousa lutar, então, droga, não merece vencer. Desejo-lhe paz se estiver disposto a lutar por ela. Por que você não vive pelo povo? Por que não luta pelo povo? Por que não morre pelo povo?”
Você se junta a nós? Tem uma resposta para a pergunta de Fred, ou acha que o FBI tinha razão ao assassinar uma das mentes mais brilhantes dos Estados Unidos?
Ou não te importa?
1CSS (Central Superior Services): concurso público de elite do Paquistão, equivalente a um concurso federal de alto prestígio no Brasil. Passar no CSS é visto por muitas famílias como o auge do sucesso profissional de um filho.
2Referência ao colapso da URSS em 1991, frequentemente usado como argumento de que o socialismo “fracassou” — debate que o autor está contestando.
3Baluchistão: província paquistanesa rica em recursos naturais (gás, minérios) mas historicamente pobre em infraestrutura e direitos, palco de um conflito separatista de décadas e de forte repressão militar e vigilância estatal. 4FATA (Áreas Tribais sob Administração Federal): região fronteiriça com o Afeganistão, historicamente com status legal à parte e pouquíssimo investimento público; foi formalmente incorporada à província do Khyber Pakhtunkhwa em 2018, mas a marginalização histórica persiste.
5Gilgit-Baltistão: território administrado pelo Paquistão na região da Caxemira, sem status constitucional pleno como as demais províncias — seus habitantes têm representação política limitada.
6Aitchison College: escola de elite em Lahore que forma tradicionalmente a aristocracia e a classe política paquistanesa, citada aqui em contraste com escolas públicas comuns (“Central Model”) para ilustrar a desigualdade educacional.
7FMI: Fundo Monetário Internacional. Governos endividados, como o do Paquistão, frequentemente recebem empréstimos condicionados a cortes de gastos públicos e privatizações, incluindo na área da educação.
8Mashal Khan: estudante de jornalismo de 23 anos linchado por uma multidão dentro do campus da Universidade Abdul Wali Khan em 2017, após acusações falsas de blasfêmia. O caso se tornou símbolo da violência extremista e da falta de proteção institucional a estudantes.
9“Rizvis”: referência a Khadim Hussain Rizvi (1966–2020), clérigo fundador do partido religioso de extrema-direita TLP (Tehreek-e-Labbaik Pakistan), usado aqui como símbolo do discurso que atribui os problemas sociais à “distância da religião”.
10PTI (Pakistan Tehreek-e-Insaf): partido liderado por Imran Khan, no governo federal à época deste artigo (2019), associado a um programa econômico neoliberal.
11PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão – Nawaz): partido conservador liderado pela família Sharif, principal força de oposição na época, tradicionalmente ligado às elites de Punjab.
12Em 1984, o ditador militar Zia-ul-Haq proibiu os sindicatos e centros estudantis (“student unions”) em todo o Paquistão, medida que segue em vigor em grande parte do país até hoje.
13Jamiat: refere-se à Islami Jamiat Talaba, organização estudantil de direita religiosa ligada ao partido Jamaat-e-Islami, historicamente acusada de atos de violência e coação em campi universitários.
14Ayub Khan: general que governou o Paquistão como ditador militar de 1958 a 1969, deposto após um grande levante popular liderado em parte pelo movimento estudantil.
15Zulfikar Ali Bhutto: primeiro-ministro paquistanês (1971–1977) de discurso populista e de esquerda, apoiado inicialmente pelo movimento estudantil; foi deposto por um golpe militar em 1977 e executado em 1979.
16“Asia Surkh Hoga” (“A Ásia ficará vermelha”): canto/slogan de tradição socialista usado em protestos e marchas estudantis no sul da Ásia.
17Refere-se aos protestos globais de 1968 — no Paquistão, o movimento estudantil e operário daquele ano foi decisivo para derrubar o ditador Ayub Khan.
18Hasan Nasir: dirigente comunista paquistanês morto sob tortura em uma prisão estatal em 1960, um dos primeiros mártires da esquerda paquistanesa.
19Nazeer Abbasi: militante comunista torturado até a morte pela polícia em 1980, durante a ditadura de Zia-ul-Haq. 20Nimrita Kumari: estudante hindu encontrada morta em circunstâncias suspeitas em Sindh, em 1988; o caso nunca foi devidamente esclarecido e se tornou símbolo de impunidade e violência contra minorias religiosas.
21Os artigos citados (3, 17 e 25A) são trechos reais da Constituição do Paquistão, que garantem, respectivamente, o combate à exploração econômica, o direito de associação/sindicalização e o direito à educação gratuita.
22Bani Gala: bairro nobre em Islamabad onde vivem políticos e elites paquistanesas, citado como símbolo de privilégio e distância da realidade popular.
23Fred Hampton: líder do Partido dos Panteras Negras em Chicago (EUA), morto aos 21 anos em 1969 numa operação da polícia coordenada com o FBI, num dos episódios mais conhecidos de repressão estatal a movimentos negros e socialistas nos EUA.







