Carlos Ernesto Guevara Villar

Liga Internacional Socialista

(Seção Panamá)

A separação do cargo sem direito a salário imposta a 298 educadores não é um trâmite administrativo nem um erro procedimental: trata-se de uma represália política deliberada contra o magistério que exerceu seu direito constitucional de greve. Após a participação de mais de 20 mil docentes na greve nacional em defesa da seguridade social e das aposentadorias, o aparelho estatal respondeu ativando um arcabouço disciplinar seletivo para punir e dar exemplo. Converteram o protesto social em “falta administrativa”, violando o direito de greve, o devido processo legal e o princípio da legalidade. Inclusive instâncias judiciais reconheceram que as decisões que deram origem a esses processos vulneraram garantias constitucionais básicas, confirmando o que denunciamos desde o primeiro momento: essas separações nasceram viciadas de nulidade absoluta.

Mas o que está em jogo vai além de um processo administrativo. Este ataque faz parte dos planos de ajuste que o capitalismo imperialista impõe em toda a região para descarregar sua crise sobre as costas da classe trabalhadora. Diante do esgotamento de seu modelo, as elites econômicas e financeiras exigem cortes, reformas regressivas, redução do gasto social e disciplinamento dos setores que resistem. A educação pública e o magistério combativo se colocam no caminho desses planos. Por isso buscam quebrar a organização, semear medo e dividir o movimento docente entre “separados” e “em funções”. Não permitiremos.

Entre milhares que participaram da greve, escolheram 298 para lhes impor a medida mais grave. Essa seletividade revela seu verdadeiro objetivo: enviar uma mensagem exemplar para desestimular futuras lutas. O poder disciplinar foi utilizado não para proteger o serviço público, mas para punir o protesto social. Quando o Estado age assim, não defende a legalidade; defende os interesses do capital e de quem pretende que os trabalhadores paguem a crise.

Diante dessa ofensiva, erguemos um chamado urgente à unidade inquebrantável de todos os sindicatos do magistério, sem distinção de correntes; à unidade entre os docentes separados e aqueles que hoje seguem em funções; à articulação com sindicatos, estudantes, pais e mães, e com o conjunto do movimento popular. O ataque contra 298 é um ataque contra todo o magistério e contra a educação pública.

Não bastam os recursos legais, ainda que sejam necessários. Direitos se defendem com organização e mobilização. Impulsionemos assembleias gerais em todos os centros educativos, coordenações unitárias, jornadas nacionais de protesto e um plano de ação escalonado até conquistar nossas demandas. Façamos sentir nas ruas que o magistério não se rende nem se divide.

Exigimos a reintegração imediata dos 298 docentes, o pagamento integral dos salários atrasados, o arquivamento definitivo de todos os processos disciplinares e o respeito irrestrito ao direito constitucional de greve. A Constituição não se negocia. O salário não se pune. O protesto não é crime.

Panamá, 7 de fevereiro de 2026

Se tocam em um, respondemos todos!

Se atacam 298, levantam-se milhares!

Somente a unidade, a luta consciente e a mobilização sustentada poderão derrotar esta ofensiva e abrir caminho para uma educação pública a serviço do povo trabalhador, e não dos planos de ajuste do capitalismo imperialista em crise!

Unidade, organização e luta até vencer!