Esta semana, Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de entendimento e espera-se que, na sexta-feira, seja alcançado um acordo de paz e cessar-fogo que abranja todas as frentes, incluindo o Líbano, e a retirada das forças sionistas.
Ao mesmo tempo, o sul de Beirute foi bombardeado e expandem-se as operações no sul do Líbano com a intenção de dividir as duas frentes, impor sua presença e alcançar seus interesses na região.
Isso ficou claro desde o final de maio, quando Netanyahu ameaçou bombardear Beirute massivamente, e o exército da entidade sionista ordenou que a população do sul de Beirute e do sul do Líbano evacuasse suas casas antes que fossem reduzidas a escombros. Esta é uma guerra permanente contra o Líbano.
Enquanto isso, a invasão das Forças de Defesa de Israel (FDI) continua. Ela chegou aos arredores de Nabatiyeh, cidade do sul do Líbano e bastião da resistência, e hasteou sua bandeira sobre as ruínas de um castelo medieval, no topo de uma montanha estratégica, violando mais uma vez o cessar-fogo acordado em abril de 2026. Também ameaçou as principais cidades de Sidon e Tiro e, recentemente, emitiu ordens de evacuação total de uma região que se estende até o rio Zahrani, a 10 km ao norte do rio Litani.
O objetivo desta guerra é claro: o inimigo sionista pretende conquistar e ocupar permanentemente o sul do Líbano. Portanto, a resistência deve ser esmagada e toda a população expulsa definitivamente. O chamado acordo de cessar-fogo resultou na atual ocupação da região ao sul do rio Litani, com mais de um milhão de habitantes deslocados. Desde então, as FDI arrasaram e dinamitaram aldeias, despovoadas de seus habitantes, o que indica sua intenção de tornar permanente sua ocupação.
O governo israelense proclama não apenas sua intenção de erradicar os combatentes do Hezbollah, mas também de destruir sua base social, isto é, a população majoritariamente xiita da região, que se estima representar mais de 30% da população do país. Isso demonstra, ao contrário das intenções dos sionistas, que os combatentes do Hezbollah constituem uma força de resistência legítima, organicamente vinculada aos moradores que permaneceram e aos deslocados, em sua maioria xiitas.
Os socialistas de todo o mundo, embora não apoiem a política nem a estratégia islamista do Hezbollah, têm a responsabilidade absoluta de respaldar essa resistência e condenar as FDI por meio da luta organizada contra o imperialismo, que busca expandir seu genocídio e sua limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia.
Netanyahu deixou isso absolutamente claro ao anunciar a tomada do histórico Castelo de Beaufort (Shkef). Em entrevista à BBC, descreveu esse fato, com suas próprias palavras, como “romper a barreira do medo” e confirmou que “retomarão a iniciativa para operar em todas as frentes na Síria, em Gaza e no Líbano”.
O regime sionista tenta aproveitar a situação
Existem várias razões inter-relacionadas para que o Estado sionista impulsione sua expansão.
Em primeiro lugar, o próprio regime sionista tornou-se cada vez mais agressivo, bárbaro e expansionista desde outubro de 2023. O governo e as forças fascistas em Israel, em particular, enxergam a oportunidade de intensificar o genocídio em Gaza — onde agora controlam pelo menos 60% do território; além disso, em 21 de maio, Netanyahu anunciou que as FDI estenderiam esse controle para 70%. Ao mesmo tempo, continuam a anexação de fato de parcelas cada vez maiores da Cisjordânia. Além disso, veem a oportunidade de ocupar permanentemente grandes extensões do Líbano em sua tentativa de estabelecer um “Grande Israel”. Isso decorre da lógica expansionista intrínseca ao próprio Estado sionista.
Naturalmente, também existem outras razões conjunturais, como o uso da agressão permanente como meio de desviar a atenção das dificuldades internas do governo Netanyahu. Mas a expansão incessante de um Estado colonizador possui um caráter mais fundamental. Enquanto existir o Estado racista sionista, nunca haverá paz duradoura com seus vizinhos nem cessará a destruição do povo palestino.
Existem muitas razões para que o Estado sionista tenha agora a oportunidade de se expandir: desde a atual crise da hegemonia estadunidense na região até o apoio contínuo das potências ocidentais, a cumplicidade dos regimes árabes reacionários e a imediata tolerância da Rússia e da China em relação às políticas sionistas, entre outros fatores.
Israel aproveitou a guerra reacionária contra o Irã para atacar o Líbano.
Ironicamente, o fracasso dos Estados Unidos na guerra para derrubar os islamistas em Teerã e impor uma mudança de regime pró-ocidental gerou uma situação frágil, na qual as “negociações” continuam paralelamente aos ataques estadunidenses e aos contra-ataques iranianos. A dificuldade para alcançar um cessar-fogo que possa, de alguma forma, ser apresentado como um “êxito” permite que Israel continue sua guerra apesar da pressão de seus aliados em Washington e na Europa Ocidental. Enquanto o exército dos Estados Unidos apresentar seus ataques contínuos contra o Irã como “legítima defesa”, os sionistas utilizarão a mesma urgência e a mesma justificativa para sua invasão do Líbano, mesmo sabendo que o Irã não pode aceitar um acordo com os Estados Unidos enquanto Israel continuar sua guerra contra o Líbano.
Embora a atual invasão e campanha no Líbano contradiga a tentativa dos Estados Unidos e da Europa Ocidental de alcançar uma solução reacionária na região e negociar um acordo com o Irã, eles não estão dispostos a exercer uma pressão decisiva contra seu aliado sionista. Isso se deve às contradições internas da “estratégia” de Trump, assim como às divisões existentes dentro do próprio governo estadunidense. Quanto às principais potências imperialistas europeias, em particular a Grã-Bretanha e a Alemanha, elas seguirão os Estados Unidos nesse aspecto e, portanto, continuarão seu apoio “incondicional” ao “direito de Israel de se defender”.
Consequentemente, os sionistas continuarão sua guerra sob suas diversas formas e tentarão alcançar seus objetivos, mesmo na situação atual, caso seja estabelecido um cessar-fogo.
Como deter o sionismo?
O povo libanês tem todo o direito de resistir à agressão sionista. A classe trabalhadora internacional, os socialistas, os comunistas, os sindicatos e os partidos devem unir-se para apoiá-lo, da mesma forma que apoiam o povo palestino em sua luta contra o genocídio.
No Líbano, o governo desempenha um papel particularmente traiçoeiro. Recusa-se a mobilizar o exército para a defesa do país. Não apenas trai essa tarefa fundamental, como inclusive mantém negociações com o inimigo, aceitando “tréguas” e “cessares-fogo” que os sionistas violam constantemente.
Durante meses, toda a retórica sobre uma trégua foi uma tentativa deliberada de enganar a opinião pública e encobrir a continuidade da agressão sob diferentes formas. O sul do Líbano jamais experimentou uma trégua, mas sim uma guerra aberta com múltiplas manifestações: bombardeios diários, assassinatos seletivos, ocupação contínua do território e uma expansão progressiva das áreas sobre as quais o inimigo impõe seu controle militar direto.
Mas as autoridades libanesas recusam-se a enfrentar os sionistas. Tornaram-se fantoches dos Estados Unidos e de outras potências imperialistas ocidentais, com escassa influência e totalmente dependentes do respaldo econômico imperialista. No entanto, impor permanentemente um regime fantoche desse tipo também exige esmagar toda força de resistência e todo descontentamento popular no Líbano.
Quanto ao Hezbollah, continua enfrentando a ocupação dentro de suas possibilidades e com o sacrifício de seus combatentes. Mas a natureza islâmica e burguesa de sua política, sua dependência de uma aliança com o regime reacionário iraniano e seu papel em lutas de massas passadas no próprio Líbano impedem o Hezbollah de oferecer uma estratégia e um programa capazes de unificar toda a classe trabalhadora, a juventude e os setores empobrecidos de todo o país, superando as divisões sectárias e comunitárias sobre uma base de classe.
A classe trabalhadora e as massas populares libanesas devem unir-se à resistência contra o inimigo sionista. Mas devem fazê-lo com base em um programa que vincule a luta contra o sionismo e o imperialismo à luta por uma solução socialista. Em resumo, um programa de revolução permanente por um Líbano socialista, integrado a um mundo socialista. Para isso, é necessário formar um partido revolucionário no calor dessa batalha.
A Liga Internacional Socialista solidariza-se e apoia a resistência do povo libanês. Respaldamos nossos companheiros libaneses, seus esforços para ampliar a luta contra a ocupação em todas as frentes e seu objetivo de construir uma ampla frente, politicamente ativa e presente no terreno, que reúna trabalhadores, estudantes, sindicatos, forças progressistas e todos aqueles que rejeitam a normalização e a rendição.
Solidariedade internacional
Apesar de seu heroísmo e de sua luta, as massas libanesas, por si sós, não poderão deter o exército israelense e seu enorme poderio militar. No entanto, a agressão sionista pode ser detida e derrotada se a classe trabalhadora árabe, estadunidense e da Europa Ocidental obrigar seus governos a cessar o apoio militar ao Estado sionista e a romper os vínculos financeiros e econômicos.
Isso significa que as organizações operárias — incluindo os partidos reformistas de massas e os sindicatos — devem mobilizar-se massivamente para aumentar a pressão sobre os governos ocidentais que apoiam e encobrem os crimes de Israel e sobre os regimes da região que bloqueiam ou nada fazem para apoiar a resistência. Ao fazê-lo, devemos combater as regulamentações e a propaganda que caracterizam o Hezbollah como uma organização terrorista, enquanto apresentam Israel como um modelo de democracia. Milhões de pessoas, especialmente entre os jovens, já percebem essa farsa.
Devemos lutar para boicotar toda ajuda militar e cultural e todo tipo de apoio a Israel, exigindo sua condenação por genocídio. Os trabalhadores imporão suas próprias sanções a Israel, como já fizeram em diversas ocasiões os estivadores gregos e italianos. A esquerda mundial também deve enviar ajuda aos socialistas libaneses, às organizações estudantis e aos sindicatos para que seja possível oferecer uma perspectiva de classe e revolucionária ao povo trabalhador libanês que sofre.
– Basta de bombardeios das Forças de Defesa de Israel e do deslocamento da população no Líbano!
– Pela derrota da agressão e da ocupação sionista! Expulsão de todas as forças sionistas do Líbano e libertação dos reféns!
– Israel, os Estados Unidos e os Estados europeus que apoiam o sionismo devem financiar integralmente a reconstrução de todas as cidades, povoados e regiões devastadas do país.
– Apoiemos a resistência popular! Apoiemos os socialistas e sindicalistas libaneses!
– Por um Líbano socialista como parte de uma Federação Socialista da região SWANA!
Secretariado Internacional da LIS





