Oficialmente, fixou 7 de agosto como data de sua primeira mobilização nas ruas.
Por Alí Hammoud
No sábado, 18 de julho, em Beirute, a Campanha de Enfrentamento à Ocupação e à Normalização no Líbano realizou sua segunda Conferência, dedicada ao anúncio oficial de sua constituição. O encontro contou com uma ampla participação de organizações políticas e sindicais, associações e cooperativas, além de ativistas políticos e sociais. Também se destacou uma importante presença internacional, com a participação de companheiros e companheiras da Liga Internacional Socialista, da Corrente da Esquerda Revolucionária na Síria, assim como de independentes do Egito e de outros países.
A Conferência incluiu um amplo debate interno, realizado a portas fechadas, sobre as tarefas políticas e organizativas da campanha e os mecanismos para fortalecer seu trabalho na próxima etapa. Os participantes se distribuíram em quatro comissões de trabalho: a Comissão de Elaboração e Produção do Discurso Político, a Comissão de Articulação Local e Resistência, a Comissão de Articulação Internacional e a Comissão de Ação no Terreno. Cada uma delas realizou extensas discussões que concluíram com uma série de recomendações e conclusões que constituirão a base do plano de ação da campanha para o período seguinte.


Os debates coincidiram em que a etapa atual exige passar de iniciativas dispersas para um marco político e organizativo unificado, capaz de vincular a luta contra a ocupação e a normalização com o trabalho popular cotidiano, fortalecer a coordenação entre as diferentes forças e ativistas e ampliar as redes de solidariedade tanto em nível local quanto internacional, em consonância com a magnitude dos desafios que enfrentam o Líbano e a região.
No plano prático, os participantes acordaram convocar a primeira mobilização popular da campanha para 7 de agosto, com um caráter simultaneamente local e internacional. No Líbano, a campanha convocou a realização de uma manifestação em frente ao Palácio do Governo em Beirute, enquanto, paralelamente, serão promovidas ações de solidariedade em frente às embaixadas e consulados libaneses em diferentes países, com o objetivo de ampliar a solidariedade internacional e aumentar a pressão política contra o processo de normalização e a ocupação.
A conferência foi concluída com uma coletiva de imprensa na qual foram realizadas três intervenções políticas.
A primeira, em nome da campanha, reafirmou a rejeição ao processo de normalização e a toda forma de concessão, destacando a necessidade de enfrentar a ocupação por todos os meios possíveis. Da mesma forma, vinculou a luta pela libertação nacional e a libertação da ocupação à necessidade de uma mudança política diante do sistema vigente.
A segunda intervenção esteve a cargo do ativista político egípcio Alaa Abdel Fattah (ex-preso político), que destacou a necessidade de ampliar a solidariedade com o Líbano e com a resistência libanesa, considerando-a a última frente de confronto direto com o inimigo. Assinalou que a continuidade desta frente requer mobilizar todos os recursos políticos, populares e materiais para sustentá-la, assim como avançar em direção a uma economia de guerra que garanta as necessidades básicas da população e fortaleça as condições de resistência social, permitindo que as pessoas possam continuar vivendo, resistindo e lutando.
A terceira intervenção foi realizada por uma representante da Liga Internacional Socialista, que expressou a posição da organização e da Corrente da Esquerda Revolucionária na Síria. Em seu discurso, destacou a importância da solidariedade internacionalista e militante com os povos do Líbano, da Palestina e da Síria diante da ocupação, afirmando que os povos do mundo rejeitam os projetos de hegemonia estadunidense e apoiam a resistência que enfrenta o Estado de Israel há mais de sete décadas. Da mesma forma, sustentou que a tarefa das forças revolucionárias consiste em vincular esta luta a uma perspectiva socialista e emancipadora.

Ao final da conferência, a campanha renovou seu chamado a todas as forças políticas, sindicais e juvenis, assim como aos ativistas e ativistas de todas as regiões, para que se incorporem às suas fileiras e contribuam para construir uma aliança mais ampla contra a ocupação e a normalização. Também ratificou 7 de agosto como a data de sua primeira ação nas ruas dentro de seu programa de luta, ressaltando que esta não é uma batalha conjuntural nem ligada a um acontecimento específico, mas um processo prolongado de organização e luta contra a ocupação e os projetos de dominação e submissão.
Os participantes reafirmaram que enfrentar a normalização constitui uma parte inseparável da luta pela libertação, e que a construção de um movimento popular de caráter radical, capaz de unificar as forças da resistência popular e de articular a luta política com a luta social e de classes, representa a principal tarefa da etapa atual. Da mesma forma, destacaram que o confronto com o projeto sionista e imperialista não pode ser separado da luta pela justiça social, pela liberdade, pela democracia e pelo socialismo, e que a ampliação da solidariedade internacional, juntamente com o fortalecimento da presença organizativa e da ação no terreno dentro do Líbano, constituirão os dois pilares fundamentais do trabalho da campanha no próximo período.









