O Estado de Israel, EUA e seus governos de extrema-direita manifestaram novamente a intenção de executar um novo capítulo histórico de limpeza étnica contra o povo palestino, expulsando-os das terras e casas que ainda conservam com sua heróica resistência. Aqueles que têm de sair da Palestina, Síria, Líbano e toda a região são os sionistas e os imperialistas, não os trabalhadores e povos árabes. A unidade solidária na mobilização continua sendo a tarefa imediata, combinada com a necessidade da revolução socialista.

Por Ruben Tzanoff

Duas políticas, um objetivo reacionário para a Palestina

A trégua entre o Estado de Israel e o Hamas permitiu um cessar-fogo, a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e a troca de reféns por prisioneiros palestinos em prisões israelenses. Embora a trégua se desenrole em equilíbrio instável e incerto, há uma coisa clara: além das negociações, os planos de longo prazo contra o povo palestino continuam em vigor.

Enquanto soavam os criminosos bombardeios israelenses, o imperialismo ocidental tentou relançar a fracassada e enganosa política de “dois estados”. O retorno de Donald Trump ao poder desmascarou sem rodeios seu objetivo de “nenhum estado” palestino.

O presidente dos Estados Unidos reafirmou sua vontade de que Israel entregue Gaza aos EUA quando os palestinos “forem reassentados em comunidades muito mais seguras e bonitas, com casas novas e modernas, na região” e Washington começar a reconstrução para “um dos maiores e mais espetaculares empreendimentos de seu tipo na terra”, para o qual “não seria necessário soldados americanos”. Paralelamente, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ordenou ao exército a preparação de um plano para permitir a “saída voluntária” dos residentes da Faixa de Gaza e Netanyahu disse que “vale a pena ouvir atentamente” a proposta, que definiu como “a primeira ideia original que surgiu em anos”.

Não é um ato humanitário, como Trump afirma, mas uma fotocópia reciclada da limpeza étnica executada pelo Estado de Israel em 1948 e mantida por mais de 75 anos, cuja aplicação implicaria expulsar de suas terras mais duas milhões de pessoas. A situação regional está longe de se acalmar, como também demonstra a Síria.

Síria fragmentada e tensa

Os acontecimentos na Síria desde a queda de Bashar al-Assad e a tomada do poder pela Organização para Libertação do Levante (HTS), liderada por Ahmed al-Sharaa, seguem um curso conflituoso com futuro incerto, tanto pela situação local como regional. No início de 2025 as novas autoridades sírias frustraram um atentado que, segundo declararam, foi planejado pelo Estado Islâmico (EI) contra o mausoléu de Sayeda Zeinab, um local de culto da comunidade xiita que já havia sido atacado pelos jihadistas em ocasiões anteriores, causando várias mortes.

Nos primeiros dias de fevereiro, um carro-bomba explodiu em uma estrada fora da cidade de Manbech, no norte da Síria, matando 15 pessoas e ferindo outras 15, a maioria trabalhadores e trabalhadoras agrícolas. Alguns dias antes, algo semelhante aconteceu na cidade de Manbij. Assim, continuam os combates que desde o final de novembro enfrentam as Forças Democráticas Sírias (SDF), a aliança curdo-árabe que luta contra o EI e os grupos pró-turcos sírios em várias regiões do norte da Síria com o apoio dos EUA.

Também em Hawik, uma cidade síria próxima da fronteira com o Líbano, acabam de eclodir confrontos entre o novo exército sírio, integrado por milicianos da HTS e clãs xiitas ligados tanto ao Hezbollah como a grupos de contrabandistas.

Enquanto esses confrontos acontecem, o novo poder da HTS procura aceitação internacional, recebendo em Damasco ministros de vários países e visitando outros, garantindo que levará quatro anos para convocar eleições e abordando a situação dos refugiados sírios, que migraram à força em busca de refúgio desde o início da guerra civil em 2011.

Unidade contra o genocídio, limpeza étnica e perseguição

A partir da Liga Socialista Internacional (LIS), promovemos a mais ampla unidade de ação nas mobilizações contra o genocídio, a limpeza étnica e pelo direito ao retorno dos milhões de palestinos e sírios expulsos de suas casas. Defendemos a derrota do Estado de Israel e do imperialismo norte-americano, sem que isso implique apoiar os governos burgueses, monárquicos ou fundamentalistas islâmicos. E apoiamos as campanhas em defesa dos lutadores que são criminalizados pelo sionismo e seus cúmplices, com a falsa acusação de equiparar antisionismo com antissemitismo e discriminação, como acontece com Alejandro Bodart na Argentina e o ativismo perseguido no Líbano.

Reagrupar os revolucionários com a estratégia socialista

É indispensável reagrupar as forças socialistas e de esquerda, na região e em todo o mundo, como faz a LIS. A libertação das massas árabes só pode ser alcançada com o programa da revolução socialista para que os trabalhadores governem, uma Palestina única, laica, não racista, democrática e socialista e a livre Federação das Repúblicas Socialistas do Oriente Médio.