No último sábado, 29 de agosto, foi realizado um importante Conversatório Internacional convocado pela Campanha contra a Criminalização do Protesto e da Organização Operária. Com a participação de dirigentes operários, sociais, juvenis e defensores dos direitos humanos de mais de 15 países, o evento reafirmou a campanha de coleta de adesões à Declaração lançada há várias semanas, anunciou a apresentação de um Informe perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e, o mais relevante: um Encontro Internacional no Equador, onde a combativa central operária daquele país, a CEDOCUT, será anfitriã do evento entre os dias 29 e 31 de outubro. Nesta crônica, reproduzimos trechos dos principais depoimentos da iniciativa realizada.
Edwin Bedoya: Presidente da CEDOCUT e do FUT, Equador
O governo de Daniel Noboa vem aprofundando a perseguição contra diferentes setores do movimento operário, indígena e camponês no Equador. De que forma o governo de Noboa está atuando contra o movimento operário, indígena e camponês? Quais consequências essa política está tendo sobre aqueles que lutam e se organizam?
Tom Alter: Professor da Universidade Estadual do Texas e membro da Socialist Horizon, Estados Unidos
Nos Estados Unidos também crescem os mecanismos de perseguição contra aqueles que expressam posições críticas ao sistema e reivindicam as ideias socialistas. Tom Alter foi demitido de seu cargo como professor na Universidade Estadual do Texas depois de participar de uma conferência sobre socialismo. Como sua demissão se conecta com a situação geral nos Estados Unidos e com o crescimento da simpatia pelas ideias socialistas? O que esse tipo de perseguição expressa?
Jean Mendoza: Secretário-Geral do SITRAEMAS e membro da Marea Socialista, Venezuela
O governo de Nicolás Maduro se apresenta como um governo de esquerda e anti-imperialista. No entanto, trabalhadores e dirigentes sindicais denunciam perseguição e criminalização sob leis como a chamada Lei contra o Ódio. Jean Mendoza, secretário-geral do sindicato dos trabalhadores madeireiros e dirigente da Marea Socialista, foi denunciado com base nessa legislação, em um conflito relacionado à patronal multinacional madeireira. O que o caso de Jean Mendoza demonstra sobre a situação dos trabalhadores na Venezuela?
Norma Lezana: APyT Garrahan, Argentina
A luta dos trabalhadores do Hospital Garrahan tornou-se uma das principais resistências contra o governo de Javier Milei. A greve histórica protagonizada por seus trabalhadores conseguiu um aumento salarial de 61%, tornando-se uma das poucas grandes conquistas obtidas diante do governo. Agora, aqueles que estiveram à frente dessa luta enfrentam novos ataques e perseguições trabalhistas. Norma esteve à frente de uma greve histórica que conseguiu arrancar do governo de Milei um aumento salarial de 61%. Agora, querem demiti-la do hospital. Que mensagem transmitir aos trabalhadores do Garrahan e a todos aqueles que estão enfrentando a política de ajuste e criminalização?
Raymar Aguado Hernández: Socialistas em Luta e militante da LIS, Cuba
A juventude cubana atravessa uma profunda crise social e econômica. Ao mesmo tempo em que enfrenta as consequências do bloqueio imperialista, ativistas e setores da juventude denunciam a perseguição política exercida pelo governo cubano. Qual é a realidade vivida atualmente pelos jovens ativistas e, em particular, pela chamada Geração Z em Cuba? Como se combinam a crise social, o bloqueio imperialista e a perseguição política contra aqueles que buscam se organizar e lutar?
Hermen Alexander Gómez Sánchez: Presidente da Sinaltrafamilia, Colômbia
Em Medellín, trabalhadores da Essity, multinacional dedicada à produção de artigos de higiene, enfrentam demissões e realizam uma luta com barracas instaladas em frente à empresa. O sindicato Sinaltrafamilia está à frente do conflito. Qual é a importância da solidariedade internacional para sustentar a luta dos trabalhadores da Essity? Como a organização internacional pode contribuir para enfrentar as demissões e a ofensiva patronal?
César Latorre: Agrupación Bordó do ATSA, Argentina
Depois de mais de 20 anos de trabalho e militância sindical em um dos principais hospitais privados da Argentina, César Latorre foi demitido sem justa causa. Durante anos, foi delegado-geral em diferentes oportunidades e uma das principais referências da oposição à direção burocrática do sindicato da saúde privada. Depois de duas décadas de trabalho e militância sindical, o que representa esse ataque contra aqueles que constroem uma oposição sindical e enfrentam as direções burocráticas?
Stella Chinchilla: Comunicadora, Costa Rica
A perseguição contra vozes críticas também atravessa a Costa Rica. Stella Chinchilla denunciou o acirramento e as políticas de perseguição durante o governo de Rodrigo Chaves e a continuidade dessa situação sob a administração de Laura Fernández. Por que ocorreu essa perseguição e esse acirramento contra Stella durante o governo de Chaves? O que mudou — ou não mudou — com sua sucessora Laura Fernández?
Carlos Guevara: Militante socialista da LIS e advogado, Panamá
Durante a rebelião social de 2025 contra o governo de José Raúl Mulino, o ativismo docente e organizações como a SUNTRACS estiveram na primeira linha da mobilização. A repressão e a perseguição posteriores atingiram dirigentes e ativistas. Como analisar a repressão e a perseguição posteriores à rebelião de 2025? Foi uma revanche de classe, uma decisão política do governo de Mulino ou uma combinação de ambas? Qual é o significado desse processo?
Camilo Parada: Referência em Direitos Humanos, Chile
A situação do povo mapuche continua marcada pela militarização, repressão e perseguição. As mudanças de governo não significaram uma mudança substancial nessa política: as comunidades mapuche foram reprimidas tanto durante o governo de Gabriel Boric quanto sob a atual administração de José Antonio Kast. Qual é hoje a situação do povo mapuche no Chile? Quais continuidades existem entre as políticas repressivas de Boric e as desenvolvidas por Kast?
Jaime Vilela: Professor universitário, Bolívia
Jaime Vilela, professor de Ciências Sociais da Universidad Mayor de San Andrés, foi criminalizado depois de denunciar situações relacionadas a fraudes sindicais na Bolívia. Por que denunciar fraudes e defender uma organização sindical democrática acabou se tornando motivo de criminalização? Qual é a análise sobre as razões políticas dessa perseguição?
Claudio Mora: Operário da FATE e membro da Agrupación Gris do SUTNA, Argentina
A luta dos trabalhadores da FATE tornou-se um dos conflitos emblemáticos contra o plano econômico de Javier Milei e sua política de destruição da indústria nacional. A ocupação da fábrica também resultou em processos judiciais contra trabalhadores. A luta da FATE foi um ponto de ruptura porque mostrou até onde pode chegar o plano de “industricídio” de Milei. Depois de mais de seis meses de conflito e com trabalhadores processados pela ocupação da fábrica, que balanço e quais ensinamentos esse processo deixa?
Elmer Rosales: Exilado nicaraguense
Milhares de jovens e ativistas nicaraguenses tiveram que deixar o país depois de enfrentar a ditadura de Daniel Ortega e Rosario Murillo. Enquanto continuam as denúncias sobre presos políticos, aqueles que estão exilados também enfrentam a impossibilidade de retornar à Nicarágua. Qual é a situação atual dos jovens e ativistas nicaraguenses exilados? O que significa viver longe do país enquanto ainda existem presos políticos e persiste a perseguição contra aqueles que enfrentam o regime de Ortega e Murillo?








