Neste sábado, 5 de setembro, a partir das 15 horas, dezenas de organizações sociais, sindicais, estudantis e políticas convergiram no Parque Lezama. Apesar do forte temporal que ameaçava complicar a jornada, a atividade ocorreu sem problemas, demonstrando a firmeza e a convicção de todos os setores presentes.
O objetivo central do encontro foi definir as ações e a organização no AMBA com vistas à grande “Marcha da Bronca”, convocada para o próximo dia 19 de setembro em direção à Plaza de Mayo.

A reunião começou com a coordenação das falas a cargo de Mirta Israel, que explicou o funcionamento participativo do plenário, enquanto a abertura ficou a cargo de Guillermo Pacagnini, dirigente nacional da ANCLA e do MST, e de Laura Cano, secretária-geral da CICOP no Hospital Cestino de Ensenada (PTS).

Pacagnini destacou um dado político de grande importância: já são 412 as organizações convocantes que aderem à marcha de 19S, e o objetivo é continuar ampliando essa base.

A representação dos deputados e referências dos partidos da FIT-U teve intervenções ao longo do evento, ratificando sua participação nessa enorme iniciativa, que ultrapassa amplamente os limites da coalizão eleitoral. Nesse bloco, por parte dos referentes dos partidos da FIT-U que, desde o início, vêm impulsionando essa iniciativa, falaram Christian Castillo (deputado da província de Buenos Aires pelo PTS), Cele Fierro (deputada do MST pela CABA) e Ana Paredes Landman (dirigente do SUTEBA Matanza e deputada provincial do MST). Também estiveram presentes Alejandro Bodart e Vilma Ripoll. Cele reivindicou a iniciativa que vem sendo desenvolvida e explicou que aqueles que, como parte da Frente de Esquerda, desde o início estiveram impulsionando-a, particularmente o MST e o PTS, quiseram e querem que ela seja muito grande e ampla contra Milei e todos os seus cúmplices no Congresso e nos governos provinciais. Por isso, considera positivo que toda a FIT-U faça parte e convoque, partindo da compreensão de que isso já é algo muito maior e mais representativo, e afirmou que estão felizes por terem conseguido isso. Porque querem derrotar Milei e também lutar por um governo dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Além disso, também interviram Gabriel Solano (Partido Obrero), Juan Carlos Giordano (Izquierda Socialista) e a deputada pela província de Buenos Aires, Mónica Schlotthauer (Izquierda Socialista).

De onde viemos e para onde vamos
Esta jornada foi a conclusão de um processo que começou com a primeira grande autoconvocação na Faculdade de Ciências Sociais, no último dia 13 de agosto, seguida de uma enorme assembleia virtual que reuniu mais de 250 delegados de todo o país. Hoje, esse esforço de milhares de companheiras e companheiros que estão colocando o corpo se traduz em assembleias de base, manifestações de sindicatos combativos e reuniões de coordenação em múltiplas cidades do interior do país. É importante destacar que, paralelamente a esta assembleia no restante da AMBA, foram realizadas, estão sendo realizadas e estão programadas reuniões organizativas em muitas províncias do país para que a marcha seja verdadeiramente federal.

Todo esse arcabouço busca construir e ocupar o vazio político deixado pelas direções tradicionais. O governo de Javier Milei atravessa uma crise evidente, marcado pelas tensões com parte do establishment e por sua própria fragilidade política. No entanto, diante de um programa que pulveriza os salários, sufoca as famílias com o endividamento e destrói o emprego, a oposição institucional e a burocracia sindical atuam como garantidoras. O peronismo continua mergulhado em disputas internas, apoiando juízes da impunidade no Senado, enquanto a cúpula da CGT olha para o outro lado. Diante dessa cumplicidade escandalosa, a assembleia do Parque Lezama levantou uma exigência inegociável: romper o pacto com o governo e convocar uma grande greve nacional ativa como passo prévio para derrotar Milei e seu governo por meio da Greve Geral.
As lutas em primeira pessoa
O plenário funcionou como um alto-falante de todos os processos de luta que atravessam o país. Um dos momentos mais importantes foi a intervenção de Norma Lezana, secretária-geral da APyT do Hospital Garrahan. Lezana detalhou a brutal campanha de perseguição e a falsa demissão que o governo orquestrou contra ela e anunciou que, após a assembleia realizada na última quinta-feira no hospital, os trabalhadores do Garrahan votaram por unanimidade pela adesão e pela mobilização em massa no dia 19S.

Sua mensagem foi contundente: é preciso construir uma saída pela esquerda e nas ruas agora, antes que o país se transforme em uma barbárie, porque 2027 “está muito longe”.
A solidariedade também se fez sentir com força quando falaram Luciano Corradi, trabalhador demitido da GPS (Aerolíneas Argentinas), e os companheiros da lista Granate do SUTNA, junto com Claudio Mora, da Lista Gris do SUTNA, que denunciaram a perseguição que sofrem na FATE após 200 dias de conflito. Na mesma linha, emocionou a presença das companheiras da fábrica recuperada Wilder, que estão lutando em defesa de 120 postos de trabalho.

A diversidade das reivindicações alimentou um programa comum que abraça todas as demandas populares. Nina Brugo, histórica referência da Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto, reivindicou a importância da unidade na luta. Do Coletivo MostrI, Marta Dillon definiu a gestão de Milei como “um governo do descarte”.
A assembleia também ouviu o forte repudio de Paula Kaeser (Basta de Falsas Soluciones) ao extrativismo, o testemunho de Néstor Saracho (Discas en Lucha) e as palavras de René Vázquez, em nome da comunidade boliviana, denunciando a perseguição aos imigrantes. A dimensão internacional esteve presente com a intervenção do jornalista Ramiro Giganti, que somou apoio e solidariedade à causa palestina.

Antes de dar passagem ao bloco estudantil, também falaram, contribuindo para o debate da assembleia, os companheiros do PSTU e da Democracia Socialista.
Em seguida, a juventude marcou forte presença com o bloco de estudantes, no qual tomaram o microfone o representante do centro acadêmico da Faculdade de Ciências Exatas da UBA, a organização La Zurda e o conselheiro superior da UNA.

O movimento piqueteiro e sindical esteve presente com uma forte comitiva, destacando-se referências como Mónica Sulle (Teresa Vive – MST), Chiquito Belliboni e Gloria Jaramillo, do Polo Obrero, além da Frente de Luta de Guernica e do MTR 12 de Abril. Também somaram suas vozes companheiras como Soledad Mosquera (secretária-geral da Ademys) e a representação combativa do SUTEBA Matanza e Tigre.
Resoluções e próximos passos rumo à Plaza de Mayo
A vontade unânime dos presentes foi avançar rumo a um documento de consenso. Para isso, foi ratificado o trabalho da Comissão de Documento, a fim de garantir que a declaração política que será lida no dia 19S represente todas as forças de maneira profundamente democrática e seja reproduzida em cada ponto do país. Além disso, foram aprovadas as seguintes reuniões organizativas para os próximos dias:
- Sexta-feira, 11 de setembro, às 16h: reunião da Comissão de Documento (na Associação de Licenciados de Enfermagem) e da Comissão de Organização, no mesmo dia e horário, mas ainda sem local exato confirmado.
- Sábado, 12 de setembro: grande Jornada de Agitação em todo o país.
O caminho está traçado. A chuva não impediu o Parque Lezama, e o ajuste de Milei não vai impedir a classe trabalhadora. Nos vemos no dia 19 de setembro na Plaza de Mayo e em todas as praças do país.








