Por Bill Mullen

A ascensão dos Socialistas Democráticos da América (DSA), de cerca de 5.000 para 125.000 membros na última década, é um dos sinais mais significativos da longa crise do capitalismo estadunidense, da continuidade da atração exercida pela política anticapitalista e da possibilidade permanente de um desafio mais amplo da classe trabalhadora à hegemonia imperialista dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a insistência da DSA em reformar o Partido Democrata por dentro, sua orientação política interna contraditória e pouco definida e o peso histórico do reformismo socialista constituem limites previsíveis à sua capacidade futura de transformar a política estadunidense.

Até o momento, os dois impactos políticos mais significativos da DSA foram reacender o espectro da política socialista para uma nova geração de jovens em radicalização, ao mesmo tempo que obscurecem e impulsionam o projeto da esquerda socialista revolucionária de criar seu próprio polo de atração.

A explosão da presença dos Socialistas Democráticos da América na política estadunidense atual não foi provocada por um movimento social generalizado, mas por uma onda eleitoral. A campanha de Bernie Sanders à presidência, em 2016, foi o principal fator responsável pelo enorme salto no número de filiados à DSA, que se aproximou de 100.000.

Mas a campanha de Sanders já anunciava muita coisa: concorrendo como democrata, ele acabou se retirando para apoiar Hillary Clinton, depois de ser derrotado pelo aparato do Partido Democrata, que consolidou sua ala centrista.

Esse padrão se repetiu continuamente ao longo da última década: candidatos da DSA ou apoiados pela DSA concorrem dentro do partido e, às vezes, vencem, ao mesmo tempo que provocam reações contrárias do aparato democrata.

Esse movimento contraditório de avanços e recuos define a estratégia de reforma “de dentro para fora” da DSA, um método já experimentado e fracassado em anos anteriores pela esquerda progressista (o “Partido Progressista” de Henry Wallace, na década de 1940), pelo Movimento pelos Direitos Civis (o Partido Democrático da Liberdade do Mississippi na década de 1960) e, agora, pela DSA.

Mamdani

O resultado foi uma forma particularmente fraca de social-democracia, que atingiu seu apogeu com a vitória de Zohran Mamdani para prefeito da cidade de Nova York. Mamdani é, sem dúvida, o melhor, mais habilidoso e, em muitos aspectos, politicamente mais avançado candidato da DSA que surgiu até agora.

Ao contrário de Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, por exemplo, Mamdani tentou permanecer fiel à “base” da DSA em Nova York, que o elegeu, mobilizando políticas de habitação, cuidado infantil e tributação que promovem uma política de redistribuição.

Mais significativamente, Mamdani geralmente não recuou em suas críticas implacáveis ao sionismo, ao genocídio de Israel em Gaza e em seu apoio à autodeterminação palestina. Ainda assim, até mesmo essas posições políticas foram aprisionadas pelos tentáculos do Partido Democrata, ao qual ele, em última instância, precisa responder.

Ele apoiou e apaziguou democratas tradicionais, incluindo a governadora reacionária e antilaboral Kathy Hochul, convidou os grandes empresários para sua “grande tenda” e evitou confrontar o Departamento de Polícia de Nova York — que está tecnicamente sob sua supervisão — em relação à retirada do financiamento da polícia. Sua participação em uma recente “vigília”, organizada por grupos judaicos para comemorar o 7 de outubro, produziu imagens politicamente desastrosas, enquanto manifestantes palestinos o acusavam de ter se vendido.

No entanto, aquele momento foi um resultado previsível do acordo contínuo da DSA com o diabo que é o Partido Democrata. O sistema bipartidário dos Estados Unidos, cujos dois partidos são admiradores mútuos do sistema capitalista, permanece impermeável a uma transformação abrangente promovida por forças relativamente pequenas como a DSA.

O episódio da “vigília” de Mamdani foi um lembrete contundente de que o desafio da política estadunidense continua sendo a criação de um movimento socialista independente — e de um partido — a partir da esquerda socialista revolucionária, capaz de se afirmar claramente como tribuno da classe trabalhadora e dos oprimidos.

A esquerda revolucionária

Hoje, a esquerda revolucionária nos Estados Unidos está conseguindo avançar melhor por meio da cooperação. Por exemplo, a Plataforma de Esquerda Unida, formada na conferência Socialism de 2025, reuniu seis grupos socialistas revolucionários (Workers Voice, Tempest, Speak Out Socialists, Solidarity, Socialist Horizon e International Marxist Humanist Organization) para promover uma perspectiva socialista revolucionária.

O grupo organizou importantes reuniões públicas sobre as guerras dos Estados Unidos contra a Venezuela e o Irã, expressou solidariedade organizativa durante a onda de mobilizações contra o ICE e está atualmente trabalhando para construir uma rede nacional de defesa das vítimas da repressão política nos Estados Unidos, dos réus de Prairieland aos 15 de Minneapolis e aos 8 de Michigan. São casos em que manifestantes contra as operações do ICE e a Ocupação, ou contra o genocídio na Palestina, enfrentaram a criminalização, o encarceramento e o assédio por parte do Estado.

A ULP está se esforçando para ampliar a base da luta social e preservar uma tradição de independência política em relação ao Partido Democrata, ao mesmo tempo que promove o debate sobre a necessidade de uma alternativa revolucionária à DSA. Ela combina uma abordagem de Frente Única para o trabalho político com o compromisso de debater o potencial de construção de uma esquerda socialista independente em larga escala.

Na Conferência Socialism, realizada em Chicago em setembro, a ULP organizou uma reunião sobre o tema “Enfrentando o Estado de Segurança Nacional”. A mesa contou com representantes do comitê de defesa de Prairieland, um dos réus no caso de repressão contra os 15 de Minneapolis e um representante dos 8 de Michigan, acusados de “conspiração” por defenderem a Palestina e o BDS.

A sala do evento estava lotada e foi palco de um debate animado sobre as possibilidades de crescimento de uma esquerda revolucionária mais ampla a partir da crise atual.

Socialismo

O debate é urgente. Uma pesquisa da Gallup, divulgada pouco depois da conferência, constatou que 43% dos estadunidenses agora têm uma visão positiva do socialismo, o maior percentual desde que a Gallup começou a fazer essa pergunta, em 2010. E a maioria das pessoas entre 18 e 34 anos, 57%, tem uma visão positiva do socialismo, contra 43% que ainda favorecem o capitalismo.

Esse número representa literalmente centenas de milhares de pessoas que não encontraram um espaço político na DSA — nem na esquerda revolucionária. Algumas delas estão começando a encontrá-lo agora.

Esses sinais de ressurgimento da esquerda revolucionária não devem ser contrapostos ao crescimento da DSA, mas entendidos como parte de uma mudança social mais ampla em direção à política anticapitalista nos Estados Unidos.

De fato, em alguns casos — como na defesa do professor da Socialist Horizon, Tom Alter, demitido de seu cargo efetivo por falar como cidadão particular em uma conferência Socialism —, a DSA e os grupos socialistas revolucionários trabalharam em campanhas conjuntas. Esse é um desenvolvimento positivo, que certamente dará visibilidade e ampliará o papel do socialismo — e dos socialistas — nos Estados Unidos.

As eleições de novembro também servirão como um teste decisivo para a estratégia da DSA. Candidatos apoiados pela organização estão concorrendo em todo o país. Uma série de vitórias provavelmente provocará ainda mais pânico no aparato democrata e intensificará o debate interno sobre como conter sua ala esquerda, enquanto o partido avalia suas opções para as eleições de 2028.

Em alguns setores da DSA, existe a expectativa de que Alexandria Ocasio-Cortez possa se candidatar à presidência. No entanto, seus recentes comentários críticos e depreciativos sobre a cultura “woke” nos Estados Unidos já prenunciam uma provável guinada ao centro, tanto dela quanto de quaisquer candidatos apoiados pela DSA em 2028.

Para a esquerda socialista revolucionária, as eleições servirão principalmente para avaliar estratégias e táticas de organização naquilo que um grupo socialista chamou de “era Mamdani”. O que se pode afirmar sem hesitação é que as oportunidades para a organização de grupos socialistas raramente foram tão grandes nos últimos tempos. Trabalhar em colaboração, como está fazendo a ULP, pode ser um passo importante para abrir o caminho adiante.