ASSUMIR E APROFUNDAR A AUTODEFESA E O AUTOABASTECIMENTO

LIBERDADE IMEDIATA PARA TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!

GLÓRIA AOS MORTOS!

Por MST Bolívia

A direção da COB convocou uma reunião ampliada após 45 dias de luta revolucionária. O evento debaterá a linha de negociação com Paz ou a continuidade da luta pela sua renúncia.

Anteriormente, a burocracia sindical da Confederação dos Trabalhadores da Indústria havia feito um pacto com o governo. A isso se soma a traição das direções das CODs de Cochabamba, Chuquisaca, Santa Cruz, Potosí e Tarija, todas defendendo um acordo com o governo contra a vitória das mobilizações. Há muito tempo que essa burocracia sindical, na prática, havia se retirado da cena revolucionária.

O proletariado mineiro, juntamente com o campesinato, constitui a vanguarda da luta, ao lado dos distritos combativos de El Alto; esses grupos têm impedido, até o momento, que suas direções cheguem a um acordo com Rodrigo Paz.

Esses dirigentes não organizam o aprofundamento da luta, chamando marchas sem preparar a autodefesa; não consolidam o autoabastecimento e, na entrada em massa na sede do governo, demonstram falta de estratégia contra a repressão policial, revelando sua intenção de desgastar as forças.

Se a direção realmente deseja lutar pela renúncia de Rodrigo Paz, deve assumir claramente o objetivo de tomar o poder e substituir o domínio oligárquico pelo governo da COB em aliança com o campesinato e os setores populares. Com esse objetivo, estabelece-se o rumo para dar o último passo que a luta exige: aprofundar a greve geral e resolver as questões da autodefesa e do abastecimento.

O GOVERNO, A OLIGARQUIA, O IMPERIALISMO E O APARATO REPRESSIVO EM CRISE

Após 45 dias de mobilizações, o governo está cercado. O próprio representante político da oligarquia, Tuto Quiroga, revelou a fraqueza do governo e deu a entender que o presidente não pode aplicar o Estado de Exceção por problemas com os militares e seus ministros. Ele ressaltou que foi o próprio governo que pediu à sua bancada que aprovasse imediatamente o regulamento do Estado de Exceção para, em seguida, diante de sua incapacidade de aplicá-lo, mudar de estratégia, apostando na negociação com as direções da luta.

Esses dados são reais. O movimento operário e camponês tem recebido solidariedade e simpatia por parte de alguns policiais da base que informavam sobre a situação interna da instituição, como o dado que forneceram sobre a escassez de gás lacrimogêneo no mês de maio. Os camponeses exercem influência decisiva nas bases militares dos quartéis provinciais, bem como sobre alguns comandantes que manifestaram sua recusa em atirar caso seja declarado o Estado de Exceção.

Além disso, o governo lançou três ofensivas policiais e militares que analistas jurídicos interpretaram como um Estado de Exceção de fato. Mas todas as três foram derrotadas pelas massas. A última ofensiva teve como protagonistas as gangues fascistas da União Juvenil Cruceñista que, armadas pelo governo e protegidas por militares e policiais, atacaram cruelmente e pelas costas o povo mobilizado de San Julián, em Santa Cruz. No entanto, a mobilização se intensificou imediatamente, os bloqueios se intensificaram e as gangues fascistas tiveram que fugir do território junto com os militares. Os policiais tiveram que abandonar o quartel provincial, que foi tomado pelas massas.

O governo é sustentado pelos militares e pelas gangues fascistas? Claramente não, pois estes já foram derrotados nas ruas.

Por outro lado, Donald Trump, por mais que conceda seu apoio ao governo, não consegue se impor na Bolívia. O poder imperialista está por terra após 45 dias de luta operária e camponesa.

TOMAR O PODER OU TRAIR E APOIAR RODRIGO PAZ

Falta apenas dar o empurrão final para que Rodrigo Paz caia. Quem está sustentando o governo? As direções da luta, a burocracia da COB e dos setores camponeses, se recusam a dar esse empurrão final, porque sabem que depois disso significa a tomada do poder. Nessa traição também há elementos de covardia que os levam a recusar a formação de um governo operário e camponês após a queda de Rodrigo Paz; assim, limitam-se a convocar bloqueios e marchas, mobilizando e esgotando forças sem aprofundar o duplo poder, ou seja, o autoabastecimento e a autodefesa, que já estão em fase incipiente, juntamente com todas as conquistas alcançadas nas quais a classe trabalhadora domina o oeste e agora o leste, com San Julián. Mas o duplo poder objetivo não é aprofundado nem organizado pela direção, deixando o processo nas mãos da espontaneidade das bases.

Essa espontaneidade não se transformou em um processo de rebelião, pois não só não impediu Rodrigo Paz de governar, como, ao conseguir abalá-lo, colocou em pauta a questão do poder. Esse processo revolucionário colocou de bandeja a possibilidade de tomar o poder para a COB e as organizações em luta. Mas isso não se concretiza porque a direção não quer. No entanto, a base os ultrapassa, mantendo a luta por um mês e meio. A questão do poder continua ainda em pauta.

  • NENHUM RECUO
  • REORGANIZAR A LUTA PARA TOMAR O PODER
  • ASSEMBLEIAS DE REORGANIZAÇÃO EM MASSA PARA AS BASE
  • PARALISAÇÃO TOTAL DA PRODUÇÃO
  • CONVOCAR AS BASES MILITARES E DA POLÍCIA PARA QUE SE JUNTEM AO EXÉRCITO DO POVO
  • ORGANIZAR O AUTOABASTECIMENTO
  • POR UM GOVERNO DA COB, CSUTCB, TÚPAJS KATARI E SETORES POPULARES EM LUTA

La Paz, 14 de junho de 2026