Comemora-se o 52º aniversário da Revolução dos Cravos, a 25 de abril de 1974, com novos desafios pela frente para a esquerda revolucionária.

Por Gil García

Fazer falta um novo 25 de abril como metáfora para dizer: é indispensável uma nova revolução social, diria mais, uma nova revolução socialista mas, desta vez, vitoriosa em todas as suas dimensões. É errado aqueles que confundem o 25 abril de 1974 e o período revolucionário que se seguiu, com a realidade de hoje. Quando referem que o 25 abril ‘cheira mal’ ou que o que temos é ‘uma ditadura camuflada’, o que fazem é confundir (propositadamente?) o processo revolucionário de 25 abril de ’74 durante praticamente um ano e meio, com o seu resultado final, ou até mesmo com a realidade actual.

Pelo simples facto que hoje continuamos a ter salários baixos até comparando com a Espanha para não ir mais longe, ou que o nosso SNS anda pelas ruas da amargura, é um raciocínio perigoso e até mal intencionado responsabilizando o 25 de abril (que deve ser sempre comemorado com alegria) pois é profundamente errado essa amálgama.

É certo que a situação nos últimos anos piorou muito as condições de vida de quem vive do seu trabalho e parco salário.  É certo, por exemplo, que nunca se viu nas últimas décadas, tantas grávidas a terem os seus bebés em auto-estradas ou dentro de ambulâncias.  Que nunca se sentiu tanto como agora, que a maioria dos nossos jovens dificilmente conseguirão comprar casa própria, dada a exorbitância dos preços, para não falar em alugueres.

Mas meus amigos, dizer que isto é o resultado do 25 de abril é um completo absurdo ou roça o discurso da extrema-direita. Essa sim, essa extrema-direita raivosa e desejosa de revanchismo, é que quer uma ditadura aberta e não camuflada. O Chega, as IL, “Novas (na verdade Velhas) Direitas”, os esbirros fascistas dos 1143, CDS, “Ergue-te”, etc é que abominam o actual regime democrático que ainda que seja completamente insuficiente, e esteja em processo de degenerescência acelerado, ainda sim comparando com os 48 anos de fascismo, desculpem, é comparar o incomparável. Uma ditadura fascista foi e será sempre o fim das grandes conquistas do 25 abril de 1974. O SNS actual está mal? Está! Mas com a extrema-direita no poder ficará pior ou será extinto. As reformas são baixas para um milhão e meio de portugueses? São sim e são um escândalo.  Mas sem o 25 de abril seria tudo muito pior.

Há falta de professores e os que exercem a profissão estão fartos de ser mal tratados nesta ‘democracia’? Certo mas as futuras gerações de professores sem quaisquer direitos e sem qualquer carreira e escolhidos não por concursos mas por preferência de Presidentes de Câmara, viverão e estarão a breve prazo muito piores.

A actual Constituição da República está muito aquém da dinâmica da revolução portuguesa de 74/75? Sem dúvida. No entanto o Chega quer acabar com ela e colocar outra porquê? Para a melhorar? Ou para retornarmos aos ‘donos disto tudo’ e sem possibilidades sequer de se contestar e até talvez sem partidos e sindicatos legais?!.

Muito cuidado portanto. Há que lutar para acabar com a podridão actual, mas no sentido revolucionário e não contra-revolucionário. É preciso melhorar salários e pensões? Sem dúvida, mas com novas greves gerais, mais longas e massivas e não com o fim das liberdades (democráticas!) que ainda temos! E que há que defendê-las com ‘unhas e dentes’.

É preciso mais esquerda mas revolucionária. A única que nunca esteve devidamente representada no parlamento. Para esquerda moderada e colaboradora com os governos do PS ou a podridão instalada, não obrigado. Há que reerguer uma nova esquerda revolucionária.

Há que pôr fim à proliferação e divisão da esquerda revolucionária por inúmeros grupos ou proto “partidos” que a nenhum lugar chegarão.  Há que reagrupar forças revolucionárias à esquerda sim. Mas com novas unidades, frentes conjuntas e até alianças.

O MAS será parte desse indispensável processo de reconstrução de uma nova esquerda revolucionária pujante, que lutará por uma nova revolução triunfante e contra retrocessos históricos, como deseja a extrema-direita.

Dizer não às guerras, do Trump, do Putin, de Israel ou de quem for; dizer não ao aumento permanente do custo de vida; dizer sim a uma nova greve geral de dois dias contra o pacote laboral, pela redução da idade de reforma, por preços dos combustíveis iguais aos de Espanha, por salários mínimos e médios também como em Espanha (mínimo 1221 eur × 14 meses e médio de 2.200 eur).

E já não estamos a exigir os salários da Alemanha, da Suíça ou do Luxemburgo. Unidade à esquerda e unidade revolucionária para a luta.

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