Por Sergio García
Vivemos há vários meses um período em que se evidencia cada vez mais um notável avanço político da esquerda. Esse avanço é reconhecido por todos os meios de comunicação, estudos de opinião e pesquisas. Mas, sobretudo, se reflete por baixo, nos locais de trabalho, de estudo e nos bairros populares. Já não se trata apenas de debater o que está acontecendo; é necessário também aprofundar a discussão sobre o que fazer para aproveitar essa situação política aberta, buscando dar passos muito mais qualitativos e estratégicos. Aí reside o debate de fundo que todos os partidos da Frente de Esquerda Unidade (FIT-U), juntamente com intelectuais, lideranças sociais e milhares de militantes e simpatizantes, precisamos desenvolver. O início dos Fóruns da FIT-U e sua continuidade nas próximas jornadas constitui uma importante oportunidade para socializar e tornar público esse debate. A primeira edição, realizada na segunda-feira, 29 de junho, revelou acordos, divergências e, em nossa opinião, certa incompreensão da oportunidade colocada e do que é necessário para aproveitá-la, bem como imprecisões e algumas interpretações equivocadas sobre o que propomos desde o MST. Por isso, neste artigo queremos aprofundar vários elementos que consideramos decisivos e estratégicos para o desenvolvimento de uma política audaciosa e revolucionária no período que se abre.
Nova situação, novas tarefas e propostas
Uma primeira questão, indispensável, é partir de uma correta dimensão das mudanças que estão ocorrendo no país e de seus possíveis alcances na perspectiva de médio e longo prazo. Porque pode haver organizações, companheiras ou companheiros que tendam a enxergar o que está acontecendo como apenas mais do mesmo, ou apenas como um problema eleitoral ou de sucessivas boas pesquisas. Precisamos ver se conseguimos concordar que não é esse o caso, que estamos vivendo algo muito mais importante, incomum, altamente positivo e apaixonante. Aprofundar essa análise da realidade é um elemento primário e indispensável.
Estamos diante de um processo inédito: uma guinada à esquerda que encontra a esquerda revolucionária, a figura da companheira Myriam Bregman em particular e a Frente de Esquerda Unidade como um todo capitalizando esse avanço e se tornando receptores dessa simpatia crescente, que ainda não atingiu seu teto e possivelmente está muito longe de um ponto de esgotamento. Tudo isso nos coloca diante de um desafio histórico: na perspectiva, pode se abrir a possibilidade concreta de que — ao se combinar um profundo salto na luta de classes, uma brusca mudança da situação e o desenvolvimento dessa guinada à esquerda — os níveis de apoio social à esquerda cresçam muito mais e coloquem na realidade a possibilidade inédita de disputar o poder político do país.
Se isso é assim, é preciso compreender que nenhuma proposta para uma situação tão extraordinária como a que estamos vivendo e protagonizando pode ser correta se partir, em linhas gerais, da mesma política — ou de uma muito semelhante — à que existia antes dessas mudanças na realidade. Ninguém poderá acertar nas tarefas necessárias repetindo, como se nada tivesse acontecido, as mesmas receitas políticas de antes dessas transformações de grande magnitude. As mudanças na situação e a perspectiva de mudanças ainda mais profundas não combinam com um conservadorismo político que tende a não querer modificar o status quo anterior dentro da esquerda ou de nossa frente. Se a realidade muda, temos de abrir a cabeça e mudar tudo o que for necessário, sem rotineirismo nem formalismo.

Muda a realidade, que mude a Frente de Esquerda
Tomemos como exemplo claro e concreto a situação da Frente de Esquerda Unidade. A frente que construímos, valorizamos e defendemos, e cuja situação atual precisamos avaliar sem cair na superficialidade de fazer dela uma defesa abstrata e imóvel. Pelo contrário, devemos nos atrever a desenvolver uma proposta dinâmica para que nossa frente evolua e esteja à altura da situação que vivemos. Partindo da compreensão de que, tal como existe hoje, ela não é suficiente para abarcar, canalizar e organizar toda a possibilidade política aberta. É preciso muito mais, algo novo e superior, para responder à realidade presente e, sobretudo, à que pode surgir daqui para frente.
Isso é muito evidente e necessário, porque existe uma relação indissociável entre a situação positiva da guinada à esquerda, a necessidade de mudanças e de políticas audaciosas e a localização da FIT-U, reconhecendo seus limites para, a partir daí, lutar por sua transformação. Nesse sentido, o primeiro painel do Fórum realizado pela Frente de Esquerda Unidade, na segunda-feira, 29 de junho, mostrou que — nos casos do PO e da Izquierda Socialista — não existe uma compreensão real, uma assimilação da situação excepcional que vivemos e das novas tarefas que ela nos coloca. Isso se manifesta em um problema político que os leva a propor mecanicamente apenas mais do mesmo, sem cogitar modificar em nada os aspectos mais atrasados e criticáveis de nossa frente. E, se a autocrítica é sempre necessária, ela é ainda mais indispensável quando há mudanças de grande magnitude que exigem novas respostas políticas e organizativas.
Em suas intervenções, os companheiros permanecem presos à lógica de que a atual FIT-U, caso convoque comitês conjuntos — ou uma assembleia nacional, como acrescenta o PO —, estaria bem e resolveria os problemas colocados. Infelizmente, não é o caso. O fato de ser apenas uma frente eleitoral, de não possuir uma vida cotidiana real, nem debates políticos permanentes, nem um funcionamento de fundo como ferramenta política conjunta, é justamente o que impede uma intervenção comum e um debate verdadeiro sobre tudo, incluindo a questão dos comitês, dos partidos, das assembleias, das lutas em curso ou de qualquer outra iniciativa.
Nesse sentido, seguimos acreditando que, se anteriormente tudo o que a Frente de Esquerda Unidade tinha de positivo já coexistia com limitações que a impediam de avançar mais, essa realidade se torna ainda mais evidente à luz da situação atual. E o debate deste primeiro Fórum deixou claro que os companheiros da Izquierda Socialista e do PO não conseguem perceber a verdadeira dimensão das mudanças em curso e, consequentemente, tampouco veem a necessidade de revolucionar nossa frente e colocá-la à altura da situação. Por isso, em geral, suas propostas tendem a ser mais do mesmo, partindo de um modelo de Frente de Esquerda que eles não questionam, apesar de suas evidentes limitações.
Da nossa parte, também somos favoráveis à construção de comitês comuns em todos os lugares. Isso, inclusive, foi aprovado por votação em nosso Congresso e, portanto, consideramos um erro não tentar concretizá-los. Ao mesmo tempo, para que isso possa ocorrer, consideramos importante que exista um acordo sobre qual é a estratégia e quais são os objetivos desses comitês, para que eles não explodam em disputas desnecessárias. E, nesse sentido, para nós, o debate e a estratégia de avançar para um grande partido comum constituem uma questão central para sua constituição e para impulsionar sua construção unitária.

Estratégia, partido e a verdadeira proposta do MST
Com uma compreensão plena da magnitude das mudanças que estamos atravessando e da oportunidade e do desafio histórico que temos pela frente, nós, do MST, propomos avançar para a construção de um grande partido revolucionário comum, unificado da esquerda, ou como queiramos chamá-lo. Nesse caminho, uma possibilidade concreta seria avançar para um partido unificado de toda a FIT-U, com base em seu correto programa anticapitalista e socialista, valorizando os importantes acordos alcançados e mantendo a existência de tendências para refletir a realidade de que provimos de diferentes organizações e experiências, processando com tranquilidade as diferenças e matizes, sem que ninguém perca sua identidade nem suas posições prévias.
Essa proposta, evidentemente, só poderá ser levada adiante se todos os partidos da frente tiverem vontade política de avançar nessa ou em outra proposta de sentido semelhante. Como dissemos, partimos da constatação de que pelo menos duas das forças integrantes da frente não colocam a necessidade de abordar essas questões como atuais e necessárias. No caso do PO, afirmou no Fórum que está disposto a debater a construção de um partido, mas, até agora, isso não passa de uma declaração circunstancial, que não tem relação nem corresponde a nenhuma das propostas que apresentou no Fórum. Em nenhum momento se referiu concretamente a esse tema, preferindo, assim como a IS, centrar-se principalmente em destacar as diferenças existentes, o que, em nossa opinião, não constituiu uma contribuição positiva.
Ao mesmo tempo, as companheiras e os companheiros do PTS vêm propondo impulsionar um movimento por um partido da nova classe trabalhadora. Trata-se de uma definição geral, ainda não acabada, que precisaria ser melhor precisada e concretizada. De fato, no primeiro Fórum da FIT-U fizeram pouquíssimas referências ao tema, preferindo priorizar um relato sobre os dados de seu próprio desenvolvimento político e outras questões gerais. No nosso caso, partimos da concordância com as companheiras e os companheiros do PTS quanto à necessidade de avançar no debate sobre a construção de algo novo, seja um movimento rumo a um partido, seja alguma variante que conduza à construção de uma grande ferramenta política da classe trabalhadora, dando passos para incorporar milhares de novos militantes.
Sobre esse tema, e apesar de já termos escrito artigos, produzido vídeos e dado explicações orais sobre toda a nossa proposta, as companheiras e os companheiros do PTS continuam fazendo críticas baseadas em uma interpretação equivocada, pois polemizam com uma proposta que nós não fazemos. O companheiro Christian Castillo afirmou, em sua intervenção, que o partido de tendências de que fala o MST teve maus resultados em outros países. E, na reportagem sobre o Fórum publicada em 30 de junho no La Izquierda Diario, escreveram o seguinte: “Por sua vez, o MST, no marco das oportunidades políticas colocadas pela situação, partiu da concordância de que a FIT-U já não basta e propôs construir um novo tipo de organização, um partido de caráter amplo, embora propondo um funcionamento de ‘partido de tendências’, problemático para pensar um partido democraticamente centralizado para a luta de classes se os debates não forem resolvidos, como demonstram diferentes experiências internacionais recentes.”¹
Seria importante, para que possamos desenvolver um debate melhor, que se partisse daquilo que o MST realmente propõe, e não de coisas que nós não propusemos. Em nenhum momento deste debate aberto na esquerda de nosso país propusemos um partido amplo de tendências. Pelo contrário, para ser preciso, vimos propondo essencialmente o oposto, além de termos explicado que nossa proposta não tem nada a ver com outras experiências internacionais às quais as companheiras e os companheiros fazem referência.

No Fórum, nosso companheiro Alejandro Bodart afirmou sobre esse tema: “Não estamos falando de um partido amplo como os que surgiram desde 2001, desde o início deste século. Porque esses partidos foram organizados essencialmente em torno de forças reformistas, não tiveram um programa insurrecional para resolver a questão do poder, foram todas variantes eleitorais que, quando entraram em crise eleitoral, acabaram retrocedendo. Estamos falando de algo novo, porque é novo que, em nosso país, seja a esquerda revolucionária que está avançando. Portanto, ela tem a possibilidade de organizar uma grande força com um programa revolucionário, um método revolucionário, uma estratégia insurrecional, a estratégia de um governo dos trabalhadores, algo inédito em escala mundial, e que poderia representar um enorme golpe para as classes dominantes argentinas e uma luz de esperança para outros processos em todo o mundo, caso consigamos fazê-lo.”² Como se pode ver, essa proposta não tem nada a ver com experiências de partidos amplos, eleitorais ou semelhantes.
Da mesma forma, em um artigo publicado dias atrás no Periodismo de Izquierda, afirmávamos: “Quanto à possibilidade de avançar para um movimento rumo a um partido comum, evidentemente existem debates sobre a melhor forma de fazê-lo. Em nossa opinião, o primeiro passo é nos colocarmos de acordo sobre o que queremos construir. Nesse sentido, consideramos e propomos avançar para a conformação de um novo e grande partido revolucionário, que reúna, para a disputa política e para a luta de classes, milhares de novas e novos ativistas e a militância dos partidos que estejam dispostos a dar esse passo em comum. Não estamos falando de uma frente tática, nem de um partido amplo, nem de uma organização de caráter eleitoral. Falamos da construção de um partido revolucionário, com um programa revolucionário e socialista, com a estratégia da tomada do poder pela classe trabalhadora e de seu governo, e com o método do centralismo democrático como forma de funcionamento.”³
Algo no mesmo sentido expressei na segunda-feira, 29 de junho, em minha intervenção no Fórum da Frente de Esquerda, quando dei como exemplo o próprio Partido Bolchevique (isto é, um partido revolucionário, nem amplo nem eleitoral), que possuía uma estratégia comum e um programa voltado para um governo dos trabalhadores e que, nesse marco, mantinha debates permanentes, acordos e divergências processados internamente. E apresentamos esse exemplo precisamente porque estamos debatendo como construir da melhor forma um partido revolucionário, e não outro tipo de organização. E queremos destacar que não existe contradição entre construir um grande partido revolucionário com milhares de militantes e saber conviver com acordos, matizes e diferenças. Na realidade, o utópico seria acreditar que um grande partido com influência de massas terá sempre consenso absoluto sobre todas as questões.

Partido, tendências e correntes internas: o que está em debate?
Por essas razões, insistimos junto às companheiras e aos companheiros do PTS que é importante debater as propostas reais apresentadas pelo MST e deixar de lado propostas que não são nossas, para não distorcer o debate nem chegar a conclusões equivocadas que apenas servem para justificar uma suposta falta de acordos. Nós reafirmamos, mais uma vez: quando falamos em avançar para um grande partido, referimo-nos a um partido revolucionário, com um programa voltado para um governo dos trabalhadores e para o socialismo. Não falamos de uma variante organizativa de tipo eleitoral, nem de um partido amplo, nem de uma cópia de experiências como o NPA francês ou qualquer outra semelhante. Falamos de um partido que sirva prioritariamente para intervir na luta política e na luta de classes e que, nesse marco, também seja útil para a disputa política eleitoral, sem que esta constitua sua prioridade estratégica.
Um partido desse tipo deve funcionar, evidentemente, segundo o princípio do centralismo democrático, com predominância do polo democrático para facilitar a incorporação de quem ingressa na organização e favorecer o desenvolvimento das opiniões e do debate coletivo. Ao mesmo tempo, se ele vier a ser constituído por diferentes organizações que se unificam juntamente com milhares de novos militantes, também deve permitir, ao menos de forma transitória, a existência de tendências internas que expressem a etapa anterior, suas posições, experiências e trabalhos militantes em todo o país. Isso não nega o funcionamento de um partido centralista democrático que debate coletiva e internamente, vota e decide, por maioria, uma determinada linha política diante de cada fato da realidade, com minorias que respeitem essa realidade.
Com as companheiras e os companheiros do PTS, que vêm impulsionando uma proposta de partido e de comitês para debater sua construção, queremos continuar debatendo fraternalmente todas essas questões, fazendo o maior esforço possível para realmente nos escutarmos. Esse é um método necessário se quisermos explorar a hipótese de alcançar acordos estratégicos entre nossas organizações. Como parte desses debates e intercâmbios, consideramos que as companheiras e os companheiros podem dar mais um passo importante: promover a abertura dos comitês que estão sendo organizados a todas e todos os trabalhadores e jovens que compartilham a tarefa política de participar e contribuir para a construção de uma nova e grande organização política. Isso potencializaria todo o processo de organização militante em curso e criaria melhores condições para seguir avançando. Ou, ao menos, realizar experiências de comitês comuns em alguns lugares e, posteriormente, tirar conclusões a partir delas. Ao mesmo tempo, consideramos positiva a construção conjunta de coordenações regionais para impulsionar a luta de classes e apoiar os processos em curso em cada região. Trata-se de uma tarefa muito importante que, contudo, não substitui — embora também não seja incompatível com ela — a necessidade de avançar no debate e na construção de acordos políticos de fundo, que é a principal tarefa que devemos procurar alcançar.

A importância do debate sobre o partido e de avançar na unidade
O debate sobre esses passos necessários parte dos acordos existentes que permitem realizá-los e também de uma visão de fundo que consideramos muito importante diante da possível perspectiva de uma combinação entre um importante giro à esquerda, uma elevação da luta de classes e uma crise de grandes proporções. Nessa combinação dinâmica, que suscitará tensões sociais, enfrentamentos políticos com nossos inimigos de classe e oportunidades de avanço para a esquerda revolucionária, consideramos que um partido isolado, entre os que hoje integram a Frente de Esquerda Unidade, não conseguirá responder corretamente, em toda a sua dimensão, a um desafio dessa magnitude. O principal erro político que poderia ser cometido seria se alguma das forças existentes acreditasse no contrário e, na prática, desenvolvesse uma orientação política baseada na ideia de que, por meio de um crescimento evolutivo e por conta própria, alcançará saltos de grande magnitude rumo a uma influência orgânica de massas.
Em nossa opinião, para essa perspectiva de um grande partido revolucionário que dispute influência de massas, será necessária a unidade política e estratégica entre direções, quadros e militantes dispostos a trabalhar em comum e de forma profunda, sabendo priorizar todos os importantes acordos que temos e conviver também com as diferenças e matizes que permanecerem. Isso porque, em todo o país, há desigualdades no nível de construção e nas experiências acumuladas, e não existe uma hegemonia específica de uma única organização sobre as demais. Por isso, deve prevalecer a sabedoria de reunir, em uma mesma organização e estratégia, o melhor que a esquerda possui. Pelo menos entre as organizações que estejam dispostas a assumir esse desafio complexo, mas ao mesmo tempo imprescindível diante de tudo o que está por vir. Sobre esse tema, não podemos deixar de olhar para nossa história e para a história de todo o movimento revolucionário. E, sobretudo, recordar como se fortaleceu, segundo o historiador e militante marxista Pierre Broué, o partido de Lênin nos meses que antecederam a Revolução de Outubro: “O Partido Bolchevique de 1917 surgiu da confluência, no interior da corrente bolchevique, das correntes revolucionárias independentes constituídas tanto pela Organização Interdistrital quanto pelas numerosas organizações social-democratas internacionalistas, que até então haviam permanecido à margem do partido de Lênin… A força do partido unificado provém da fusão total das diferentes correntes, tanto quanto da diversidade dos percursos que as conduziram, ao longo de anos de luta ideológica, à luta comum em prol da revolução proletária.”⁴
Até aqui, todo esse debate sobre a construção de um grande partido vem se desenvolvendo e certamente continuará. Também pode haver companheiras e companheiros que se perguntem ou tenham dúvidas sobre por que dedicar tanto debate à possibilidade de construir um grande partido, ou prefiram concentrar-se apenas na discussão sobre os comitês e sua utilidade, ou ainda no impulso a outros tipos de organizações onde seja possível participar e militar. Da nossa parte, somos favoráveis a impulsionar todos os espaços de luta, de organização e auto-organização, bem como de intercâmbio político e protagonismo militante. Ao mesmo tempo, estamos convencidos — e, em nossa opinião, a experiência histórica o confirma — de que a tarefa política mais imprescindível e estratégica é a construção de um partido e de uma direção revolucionários.

Um partido que dispute a direção dos organismos reais da classe trabalhadora e da juventude, que impulsione processos genuínos de auto-organização e se disponha a desenvolver organismos de duplo poder. Organismos que são essenciais para qualquer processo revolucionário e que, ao mesmo tempo, não substituem a necessidade de um partido revolucionário forte e sólido, entre outras razões para atuar no interior desses organismos contra as políticas equivocadas de outras direções reformistas, burocráticas, vacilantes ou possibilistas, que, em geral, atuam para acabar liquidando esses organismos genuínos tão necessários.
Façamos esse e todos os demais debates em profundidade nos próximos quatro fóruns da Frente de Esquerda Unidade, cuja realização e continuidade são muito importantes para dar seguimento e aprofundar todos esses debates, assim como os relativos à construção internacional, aos diferentes tipos de unidade de ação e frente única, à construção de partidos revolucionários e ao programa necessário.
Também impulsionemos outras instâncias comuns que possam surgir, em reuniões, assembleias da militância e em todo espaço democrático e coletivo existente, onde participem as direções políticas da frente, os quadros, a militância, simpatizantes, intelectuais, referências operárias e sociais e todas e todos que desejem contribuir com suas ideias para este momento decisivo da esquerda anticapitalista e socialista.

PRÓXIMOS PAINÉIS DO FÓRUM DA FRENTE DE ESQUERDA
“As vias, o método e o programa para construir uma ferramenta política da classe trabalhadora na Argentina e o papel da esquerda”
- Internacionalismo revolucionário hoje. Programa e modelo de construção.
- Frente única, unidade de ação e auto-organização. Relação entre as organizações políticas e sindicais, o movimento piqueteiro e os movimentos de luta.
- Método partidário e funcionamento: centralismo democrático, tendências e luta de classes.
- Propostas e programa por uma saída operária e socialista para a Argentina.
Com data e local ainda a serem confirmados, que informaremos posteriormente, convidamos você a participar presencialmente ou a acompanhar os debates ao vivo, de forma virtual, pelo canal do Periodismo de Izquierda no YouTube.
¹ Primeiro Fórum da Frente de Esquerda. Com auditório lotado: grande debate sobre os desafios da esquerda e da classe trabalhadora (publicado no LID).
² Fórum da FIT-U. Abertura de Alejandro Bodart na primeira atividade (publicado no PDI).
³ Sergio García: Esquerda, comitês, partido e estratégia: podemos avançar muito mais (publicado no PDI).
⁴ O Partido Bolchevique, Pierre Broué.





